sábado, 20 de outubro de 2012

O final inovador (e trash) de Avenida Brasil


Foto: Divulgação/Rede Globo

Acho que muita gente ficou descontente com o final de Avenida Brasil, principalmente em relação à Carminha (Adriana Esteves). A maioria torcia para que ela fugisse do país e terminasse a novela linda, loura e milionária, ou então louca no hospício. Eu já acho que esses finais seriam extremamente repetitivos. Além disso, o desfecho escolhido mostrou que até pessoas como Carminha podem se arrepender de seus atos e se redimirem.

Faço parte da minoria que aprovou o final escrito pelo autor João Emannuel Carneiro. Para surpresa geral, Carminha salvou as vidas de Tufão e Nina e se entregou à polícia. Muitos acharam a atitude da personagem incoerente, mas eu discordo. Apesar de todas as suas maldades, Carminha nunca foi uma assassina. É verdade que ela confessou ter matado o Max, mas o crime foi considerado legítima defesa.

Depois que Nina atingiu seu objetivo de desmascarar Carminha, seria muito previsível que a vilã tentasse matar a ex-enteada. Bem mais surpreendente foi ver Carminha salvando Nina, que passou a novela inteira tentando destruí-la (mesmo que Nina tivesse seus motivos para isso). Afinal, se a própria Nina agiu como vilã em algumas situações, por que Carminha não poderia ter o seu “momento mocinha”?

Eu gostei muito de ver Carminha se reconciliando com Nina. É claro que a vingança da Nina era a razão de ser da novela e rendeu capítulos de grande suspense. Mas acho que, de certa forma, o autor quis mostrar que a vingança não leva a lugar nenhum.

Também discordo que a personagem tenha virado uma santa de uma hora para outra. Carminha era, antes de tudo, uma mulher perturbada. Viu o pai matar a mãe, depois foi jogada por ele (que provavelmente abusava dela) no lixão, e cresceu achando que a vida era assim mesmo: cada um por si. Não estou justificando os erros dela, que foram muitos. Mas alguém com seu histórico não consegue ter o mesmo discernimento de pessoas que não enfrentaram situações tão trágicas.

Agora a parte trash:

- Os finais podres dos núcleos Suellen & seus machos (?) e de Cadinho & suas mulheres. Não consigo achar graça nesses "casais" bígamos e trigamos, ainda que seja na ficção.

- O trauma do Adaulto com a chupeta. Custo a acreditar que o autor de cenas tão bombásticas seja a mesma pessoa que escreveu essa tosquice.

- E o mais ridículo: a novela terminar naquele jogo de futebol. Me deu até raiva quando vi a bandeira do Divino FC congelada com a palavra “Fim”. Teria sido mil vezes melhor encerrar com a cena em que Nina e Carminha fazem as pazes no lixão

Apesar de alguns tropeços, Avenida Brasil deixará saudades por ter sido uma novela com tramas dinâmicas e ótimas interpretações. Vai ser difícil aparecer outra assim nos próximos anos!