domingo, 5 de agosto de 2012

Seu Cadinho e suas três mulheres

Eu estava sem ideias para escrever um post. Depois de muito pensar, resolvi abordar um assunto “light”: novela. Mais precisamente, Avenida Brasil.

Antes de mais nada, quero dizer que adoro AVBR. Depois de tantas novelas chatas exibidas no horário, esta trouxe um sopro de renovação e criatividade. Ok, eu sei que vingança não é um tema tão inédito assim. Mas o modo inspirado como o autor João Emanuel Carneiro elabora a trama e os diálogos transforma esse velho clichê folhetinesco em cenas eletrizantes e memoráveis para quem assiste.

O autor não é o único responsável pelo sucesso de Avenida Brasil. O elenco está ótimo no geral, com destaque para Adriana Esteves e Débora Falabella. Confesso que antigamente achava a Adriana muito fraca como atriz. Só comecei a vê-la de outra forma quando ela fez a Catarina de O Cravo e a Rosa. Como Carminha, está perfeita. Provoca pena, repulsa, raiva e até risadas.

Apesar de todos os pontos positivos, a novela não é perfeita. Alguns núcleos são bem chatinhos, e o pior de todos com certeza é o do Cadinho (Alexandre Borges) e suas três mulheres idiotas. Nada contra os atores que são ótimos, mas os personagens beiram a imbecilidade. Mais uma vez, repete-se o manjado clichê do homem polígamo disputado por suas mulheres sem um pingo de autoestima. Sim, pois apenas uma mulher sem amor-próprio aceitaria dividir um homem com outras duas.

Analisando as personagens, encontramos três mulheres bonitas, ricas e supostamente bem resolvidas. O que leva Verônica, Noêmia e Alexia a compartilharem o mesmo homem como se fosse a coisa mais natural do mundo? Cadinho pode até ser um homem atraente e rico, mas é um infiel de carteirinha. Depois de enganar Verônica e Noêmia durante anos, as duas se conformaram em oficializar a situação apenas para não perder o “macho provedor”. Já Alexia era a amante que virou a esposa da vez. Quando descobriu que Cadinho estava saindo com as ex-mulheres, não hesitou em propor um “rodízio de marido”.

Ok, vão dizer que isso é novela, que não tem nada a ver com a realidade, etc. Será? O que mais tem por aí é mulher que aceita o papel de amante. Muitas “titulares” sabem que o marido pula a cerca, mas fingem ignorar, seja por comodismo, seja por falta de amor-próprio. São mulheres que se sujeitam a situações humilhantes “por amor” a um homem, demonstrando uma completa ausência de autoestima.

Aliás, esse deve ser o caso das três personagens. Será possível que não existam outros homens interessantes no Rio de Janeiro, a ponto das três aceitarem essa versão “moderna” de harém?

Se eu fosse João Emanuel Carneiro, deixaria o Cadinho sozinho no final da novela. Suas mulheres tomariam vergonha nas caras e encontrariam homens que realmente as respeitassem. O mais provável, porém, é que o quarteto termine junto, todos “felizes para sempre”. Se a intenção era ser engraçado, sorry. Dessa vez, não deu certo.

2 comentários:

  1. Nossa nem me fale esse CAdinho é uma mala sem alça e suas mulheres ridiculas nem sei quem é o pior.

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  2. Obrigada por comentar, Anônimo! Esse núcleo da novela está cada vez pior. Nada é perfeito, né?

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