sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Geração Peter Pan

Foto: Loren Javier via Photopin cc

Outro dia eu estava conversando com uma amiga sobre a imaturidade dos jovens adultos de hoje. No caso, sobre os “trintões” que ainda moram com os pais por comodidade, mesmo tendo condições de sair de casa. Mas existem outras espécies de adultos infantilizados, como os jovens recém-formados que mal entram nas empresas e querem ser promovidos a diretores alguns meses depois.

Isso sem falar naqueles que prorrogam a adolescência até os quarenta e não querem assumir nenhum tipo de relacionamento mais sério. Ou daqueles que se casam e tem filhos mas continuam dependendo dos pais, seja financeiramente, seja para tomar conta da prole.

Como definiu minha amiga: é a geração “Peter Pan”, uma geração que se recusa a crescer e assumir as responsabilidades da vida de adulto.

Infelizmente esse quadro tende a piorar, porque o que mais vemos por aí são crianças se jogando no chão do shopping para exigir que os pais comprem algo, chegando até a bater neles. E geralmente os pais cedem aos caprichos infantis, por vergonha das pessoas que estão assistindo a cena ou porque não conseguem negar nenhum pedido dos filhos. O que eles não percebem é que um dia essas crianças serão adultos e o mundo não terá peninha deles na hora de dizer não!

Fico pensando: por que será que a Geração Peter Pan se tornou tão dependente e imatura? Em parte, a culpa é dos próprios pais, que acostumaram os filhos a ter tudo na mãozinha. Quem não conhece aquelas mães que fazem tudo pelos “filhinhos” já marmanjos, só faltando dar comida na boquinha? Ou aqueles pais que pagam faculdade, mestrado, doutorado, pós-doutorado, etc para os filhos que nunca trabalharam porque estão “estudando”? Quem nunca ouviu aquela famosa frase: “Meu filho (a) terá tudo que eu não tive”?

Eu ainda não sou mãe, mas de uma coisa tenho certeza: criar filhos “reizinhos”, que dão ordens aos pais e ganham tudo o que pedem só irá prejudicá-los futuramente. Se a pessoa é acostumada a ter tudo o que deseja sem esforço, por que ela iria lutar para conseguir alguma coisa por seu próprio mérito?

Tenho até pena das crianças de classe-média que crescem cercadas por todo tipo de mimos e não conhecem o mundo real. Como dizem por aí, são criadas “tomando leite com pêra e ovomaltine”. São crianças que muitas vezes nunca pegaram um ônibus e que ignoram completamente outras realidades além das que estão acostumadas. Criadas em condomínios de alto padrão, passam o dia inteiro jogando videogame e acham que a vida se resume a se divertir e a consumir tudo o que aparece na TV.

Tenho pena porque um dia elas terão que encarar a “vida real”, e descobrirão do pior modo que nem tudo é tão cor-de-rosa quanto elas pensam. Lá fora existe pobreza, violência e, principalmente, existem pessoas que não se curvarão aos seus caprichos.

Por experiência própria, posso afirmar que na maioria dos casos as pessoas só amadurecem quando enfrentam situações difíceis. Quando enfrentam frustrações, obstáculos e ouvem “nãos” da vida. É quando percebem que nem tudo é como desejamos, e são obrigadas a lidar com isso.

Crescer dói. Muito. Mas é melhor crescer do que passar a vida inteira infantilizado, esperando que “papai e mamãe” resolvam tudo por nós.

7 comentários:

  1. Putz... o pior é que o meu namorado é meio assim,rsrsrsrs... vive dizendo que só vai casar quando estiver num cargo melhor e nem pensa em sair da casa da mamãe. Ninguém merece!

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  2. Pois é amiga anônima, conheço vários casos assim... mas não desanime, quem sabe o seu namorado mude? Ou então, vc mude de namorado? Rsrsrs...
    bjs!

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  3. Karem, estou adorando seus textos. Isto é realidade pura. Pena que as pessoas têm preguiça de ler, senão muita gente se identificaria com os seus textos. Eu fico pensando nesses "filhinhos" dos políticos, que (geralmente) são "educados" para seguirem "a carreira" do pai. O que eles sabem de nós, meros mortais? O que eles pensam (e sabem) da vida? O pior de tudo é que a maioria dos políticos, são filhos de políticos. O povo precisa acordar. Beijos

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  4. Fico feliz que vc esteja gostando dos textos, A. J.!
    Realmente, tem muitos "filhinhos" de políticos que seguem a tradição da família visando apenas os próprios interesses. Eles não fazem nem ideia de como é a "vida real", e o pior é que muitos se elegem pq são bem assessorados e falam aquilo que os eleitores querem ouvir. Tenho visto cada proposta furada desses candidatos, coisas tão sem importância perto de outros assuntos mais urgentes... mas a esperança é a última que morre, quem sabe um dia o povo acorde como vc falou? Bjs!

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  5. Uau! Você falou bonito! O pior é que eu também sou assim, não quero crescer e nunca quero sair da casa dos meus pais. No fundo, bem lá no fundo eu sei que vou acrescer. Aliás já estou crescendo, já estou com 13 anos e acho que irei repetir ess ano, se isso acontecer, minha mãe vai me botar na escola pública, e eu não to nem aí pra isso! Sinto vergonha de mim mesma!

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    1. Oi Anônima
      Antes de mais nada, obrigada por ter comentado o post!
      Mas acho que o seu caso é muito diferente, afinal vc só tem 13 anos!! É muito cedo pra pensar em sair de casa, certo? E qto a repetir de ano, espero que vc consiga passar, mas se não der, não é o fim do mundo. Acredite em você! Nada de sentir vergonha de si mesma. Pense em qtas pessoas já repetiram de ano e deram a volta por cima. Vc tem uma vida inteira pela frente, viu?
      Desejo tudo de bom pra vc!

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  6. O conceito de "maduro", "adulto", "sério" na nossa sociedade é o seguinte: pessoas workaholics, materialistas, que dão sequência às tradições, dogmas dos pais e avôs, que se rendem aos padrões e imposições da sociedade, da mídia...afinal se não somos bons produtos, não podemos ser vendidos...e quem vive a vida como quer (pessoas fora dos padrões, hippies, índios, etc) são classificados como "imaturos", "infantis", "não levam nada a sério", etc...pois estas pessoas não dão lucro, não convém, apresentam um modelo libertador de vida que daria uma "pane" no sistema.
    Essa mesma sociedade "correta" e etiquetada fabrica sem querer crianças erotizadas e estressadas (pois pra estes são projetos que precisam ser acelerados...não podem ser mais crianças, mal brincam, têm mil tarefas na agenda). Enfim...tudo isso pra ser "bem sucedido", fazer bonito...mas morrer sendo um número e sem ter vivido as coisas simples da vida. É a criança interior que nos faz achar graça na vida, nesse mundo cheio de superficialidades.

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