segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Cuidado: seu perfil está sendo monitorado

Na hora de contratar funcionários, muitas empresas investigam os candidatos nas redes sociais. É possível avaliar um candidato apenas pelo perfil?


Foto: redcarpet via photopin cc

KAREM MOGNON


Marcos candidatou-se a uma vaga de analista de sistemas em uma empresa de grande porte. Apesar de possuir longa experiência profissional e pós-graduação, foi reprovado. O selecionador estranhou o fato de Marcos não ter um perfil no Facebook, e optou por um candidato menos qualificado porque o considerou mais “sociável”.

A história é fictícia, mas está mais próxima da realidade do que se imagina. Segundo uma reportagem do jornal britânico Daily Mail, pessoas responsáveis por contratar novos funcionários para empresas consideram “suspeito” que um candidato a uma vaga não possua perfil em algum site de relacionamento. Tal comportamento indicaria que a pessoa teve a conta cancelada por desrespeitar as regras internas, ou tem informações relevantes a esconder. A ausência nas redes poderia até revelar uma personalidade antissocial. Mas até que ponto esses critérios devem ser utilizados para avaliar os candidatos?

A psicóloga Andréa Pavlovitsch acredita que as empresas têm o direito de utilizar os processos seletivos que desejarem na hora da contratação. “Se o pretendente se candidata a uma determinada vaga e é necessário ter um perfil nas redes sociais, isso é uma regra da empresa. Assim como determinado curso de formação ou experiência, a empresa também pode ‘exigir’ que a pessoa tenha um perfil”.

Para a psicóloga, não participar de redes sociais pode até gerar dúvidas a respeito do candidato. “Se a pessoa não quer se expor, começa outra questão, ok, mas por quê? Se ela não tem o que esconder, não tem necessidade de se esconder. Ela pode controlar o que vai ou não parar nas suas redes sociais, mas de qualquer maneira, alguém que procura um emprego precisa se expor, até para ser visto pelo mercado”, afirma.

A assistente administrativa Márcia Lopes tem uma opinião diferente. Ela excluiu seu perfil do Facebook porque desejava preservar a privacidade, e acha que os recrutadores deveriam escolher outros métodos. “As empresas deveriam se preocupar mais é com a competência dos candidatos às vagas. De que adianta participar das redes e passar o dia inteiro postando bobagens em vez de trabalhar? Seria até melhor para as empresas se os funcionários não perdessem tanto tempo bisbilhotando a vida alheia e se concentrassem mais nas tarefas”, diz.

Fantasia ou realidade?

Além de criticar o excesso de exposição de alguns usuários, Márcia Lopes afirma que muitos usam seus perfis para se autoafirmar. “Conheço algumas pessoas que fazem questão de mostrar que suas vidas são perfeitas na internet, mas a realidade é bem diferente. Por isso, não dá para levar a sério essas informações”, diz a assistente administrativa.

Segundo Andrea Pavlovitsch, comportamentos desse tipo podem revelar uma necessidade de ser aceito pelas outras pessoas. “Quanto menos eu me aceito como pessoa, mais informações ‘normais’ eu passo para frente, ou seja, eu quero mostrar que eu cumpro os itens de normalidade social quando coloco que tenho um namorado ou um filho. A ânsia social hoje é esconder as ‘esquisitices’ e mostrar que sou legal, mesmo quando não sou”, afirma.

Embora considere as redes sociais como um bom complemento na hora de contratar funcionários, a psicóloga considera quase impossível analisar uma pessoa apenas por esse quesito. “Os perfis nem sempre são a realidade. A maioria cria uma fantasia sobre o seu ideal, e não o seu real. E isso complica mais ainda, porque o real pode ser melhor ou pior do que nas redes sociais. Então, é impossível saber o que é verdade ou não”, conclui Andrea.

Dicas de comportamento nas redes sociais
  • Não reclame da empresa em que trabalhou ou de seus ex-chefes. Se você fez isso com o antigo empregador, poderá fazer com o futuro. Participar de comunidades como odeio meu ex-chefe pode atrapalhar seu processo seletivo;
  • Cuidado com as fotografias do seu álbum. É melhor não se apresentar em imagens de biquíni ou de sunga no perfil pessoal;
  • Fotos do candidato com bebidas alcoólicas, entorpecentes ou portando armas podem indicar o perfil de uma pessoa encrenqueira;
  • Comentários/vídeos e assuntos polêmicos chamam a atenção. Não extrapole em opiniões religiosas, culturais e políticas, pois pode ferir o direito de terceiros;
  • Nada de palavrões ou expressões chulas. Você será julgado pela imagem que passar. A primeira impressão é a que fica.
  • Muita atenção com os erros de português e não conte mentiras em seu perfil.
Fonte: G1

2 comentários:

  1. Eu tenho facebook e adoro! Mas acho nada a ver esse negócio das empresas ficarem espionando o perfil das pessoas. Como disse a tal Márcia, o que tem que ser avaliado é a competencia das pessoas e não o que elas postam na internet.

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  2. Oi Carol, obrigada pelo comentário!
    Eu concordo com vc sobre as empresas avaliarem as pessoas pela competência. Eu tenho perfil em outras redes sociais, mas ainda não tive vontade de criar um no facebook. Não tenho nada a esconder, rsrsrsrs... só acho que ter um perfil no "Face" é uma opção pessoal.

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