quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Trate os outros como gosta de ser tratado


Foto: Tomer_a via Photopin cc 
 
Eu sempre gostei muito daquele ditado: “Faça aos outros aquilo que gostaria que fizessem a você”. Pena que muitas pessoas ignoram completamente o significado dessa frase. São pessoas que nunca se colocam no lugar do outro.

Exemplos não faltam. Já tive vizinhos que faziam barulho de madrugada, andando de salto alto e arrastando móveis, sem se importar se os vizinhos que moravam embaixo precisavam dormir. E quando reclamávamos, tinham a cara de pau de negar. Eu adoraria saber como eles reagiriam se passassem por uma situação como essa na hora em que fossem dormir.

Outra coisa que me irrita muito é gente que fica mandando mensagem no celular enquanto dirige. Será que esses motoristas não pensam que estão colocando em risco as vidas de outras pessoas? Sim, por que não dá pra dirigir e digitar ao mesmo tempo, certo? Eu não sei qual é o valor da multa pra quem dirige falando no celular (que também é errado), mas digitar mensagens é pior ainda. Deveria ser o dobro.

E por falar em usar o celular em horas erradas, eu costumava fazer as unhas em um salão onde a manicure ficava interrompendo o trabalho a todo o momento para ficar mandando mensagens de texto. E isso acontecia sempre, era um verdadeiro vício. Uma desconsideração com as clientes, que tinham que dividir a atenção dela com o celular. Eu não frequento mais o salão, mas se fosse a dona dele, daria um ultimato pra essa moça: ou você faz o seu trabalho e pinta as unhas das clientes, ou tchau! O que não faltam são manicures querendo trabalhar.

Enfim, o que mais vemos por aí são situações assim, em que as pessoas só pensam em si mesmas e os outros que se danem!

O mundo está precisando de gente menos egoísta e mais solidária, que respeite as outras pessoas e tenha bom senso para perceber se não está prejudicando ninguém com suas atitudes.

Pessoalmente, eu acredito que tudo o que  plantamos acabamos colhendo algum dia. Se hoje você humilha alguém, amanhã poderá ser humilhado. Se hoje sacaneia alguém, cuidado: amanhã, poderá ser você o sacaneado.

Da mesma forma, se você faz algo bom por uma pessoa que não reconhece e até retribui seu gesto com ingratidão, não se preocupe. Todo o bem que fizermos será recompensado, de um modo ou de outro. Acredite!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Geração Peter Pan

Foto: Loren Javier via Photopin cc

Outro dia eu estava conversando com uma amiga sobre a imaturidade dos jovens adultos de hoje. No caso, sobre os “trintões” que ainda moram com os pais por comodidade, mesmo tendo condições de sair de casa. Mas existem outras espécies de adultos infantilizados, como os jovens recém-formados que mal entram nas empresas e querem ser promovidos a diretores alguns meses depois.

Isso sem falar naqueles que prorrogam a adolescência até os quarenta e não querem assumir nenhum tipo de relacionamento mais sério. Ou daqueles que se casam e tem filhos mas continuam dependendo dos pais, seja financeiramente, seja para tomar conta da prole.

Como definiu minha amiga: é a geração “Peter Pan”, uma geração que se recusa a crescer e assumir as responsabilidades da vida de adulto.

Infelizmente esse quadro tende a piorar, porque o que mais vemos por aí são crianças se jogando no chão do shopping para exigir que os pais comprem algo, chegando até a bater neles. E geralmente os pais cedem aos caprichos infantis, por vergonha das pessoas que estão assistindo a cena ou porque não conseguem negar nenhum pedido dos filhos. O que eles não percebem é que um dia essas crianças serão adultos e o mundo não terá peninha deles na hora de dizer não!

Fico pensando: por que será que a Geração Peter Pan se tornou tão dependente e imatura? Em parte, a culpa é dos próprios pais, que acostumaram os filhos a ter tudo na mãozinha. Quem não conhece aquelas mães que fazem tudo pelos “filhinhos” já marmanjos, só faltando dar comida na boquinha? Ou aqueles pais que pagam faculdade, mestrado, doutorado, pós-doutorado, etc para os filhos que nunca trabalharam porque estão “estudando”? Quem nunca ouviu aquela famosa frase: “Meu filho (a) terá tudo que eu não tive”?

Eu ainda não sou mãe, mas de uma coisa tenho certeza: criar filhos “reizinhos”, que dão ordens aos pais e ganham tudo o que pedem só irá prejudicá-los futuramente. Se a pessoa é acostumada a ter tudo o que deseja sem esforço, por que ela iria lutar para conseguir alguma coisa por seu próprio mérito?

Tenho até pena das crianças de classe-média que crescem cercadas por todo tipo de mimos e não conhecem o mundo real. Como dizem por aí, são criadas “tomando leite com pêra e ovomaltine”. São crianças que muitas vezes nunca pegaram um ônibus e que ignoram completamente outras realidades além das que estão acostumadas. Criadas em condomínios de alto padrão, passam o dia inteiro jogando videogame e acham que a vida se resume a se divertir e a consumir tudo o que aparece na TV.

Tenho pena porque um dia elas terão que encarar a “vida real”, e descobrirão do pior modo que nem tudo é tão cor-de-rosa quanto elas pensam. Lá fora existe pobreza, violência e, principalmente, existem pessoas que não se curvarão aos seus caprichos.

Por experiência própria, posso afirmar que na maioria dos casos as pessoas só amadurecem quando enfrentam situações difíceis. Quando enfrentam frustrações, obstáculos e ouvem “nãos” da vida. É quando percebem que nem tudo é como desejamos, e são obrigadas a lidar com isso.

Crescer dói. Muito. Mas é melhor crescer do que passar a vida inteira infantilizado, esperando que “papai e mamãe” resolvam tudo por nós.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Thalita Rodrigues e a superação de limites


Foto: divulgação
 
A tenista Thalita Rodrigues, 18, é considerada uma das promessas do esporte brasileiro para as Olimpíadas de 2016. Ela está em quarto lugar no ranking até 18 anos da Confederação Brasileira de Tênis (CBT). O mais impressionante é que Thalita nasceu sem o antebraço esquerdo. Sua mãe contraiu rubéola durante a gravidez, o que acarretou a deficiência.
Como se não bastasse, a tenista não possui preparador físico, nem nutricionista. Mais: não tem patrocínio, apenas o apoio da loja Real Esporte, que realiza a troca de cordas de sua raquete. Thalita só viaja pelo país para participar dos campeonatos porque o patrocinador da CBT oferece passagens e hospedagem para os 30 mais bem colocados no ranking por categoria.
Thalita teria tudo para desistir. No entanto, sua força de vontade fez dela um exemplo de superação. Apesar da deficiência, da falta de patrocínio e de preparador físico, ela venceu os próprios limites e está se destacando como tenista. Já foi campeã de três torneios de duplas, e disputou o torneio classificatório profissional do Aberto de Brasília.

É até irônico. Vemos tantas pessoas sem nenhum tipo de deficiência, em condições econômicas superiores às de Thalita, e que não realizaram um décimo do que ela já conquistou. Pior: quantos jovens dessa idade que ganham tudo de mão beijada e estão por aí enchendo a cara, tirando racha, traficando drogas, queimando e batendo em mendigos?
Essa garota é realmente um exemplo para todo mundo. Parabéns, Thalita!

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Consumismo: por que comprar tanto?

Foto: antjeverena via Photopin cc
Segundo uma pesquisa recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea),  mais da metade das famílias brasileiras está endividada. Entre elas, uma em cada três está com as contas atrasadas.

As pessoas estão cada vez mais consumistas. Não serei hipócrita de dizer que não gosto de comprar uma roupa nova ou aquela sandália linda que vi na vitrine. Mas perto da maioria das pessoas, sou bem controlada. Às vezes me pergunto: sou normal? Porque a impressão que eu tenho é que o resto do mundo está repetindo o mesmo mantra: comprar, comprar, comprar!

Por que as pessoas dão tanta importância a isso? Em parte, porque são incentivadas pela mídia o tempo todo. Os comerciais estão aí para jogar na sua cara que você só será o cara mais bonito, bem-sucedido e descolado se usar o produto X. E você, mulher “encalhada”, só vai arrumar um homem se usar a maquiagem Y e o shampoo Z!

É claro que a publicidade é necessária para divulgar os produtos, gerar vendas e produzir empregos. O problema é que as pessoas assistem essas coisas e acham que só conseguirão ser felizes se comprarem todos esses produtos "milagrosos".

Aí entra mais uma questão: se você ainda não tem aquele carro importado que aparece no comercial e o seu vizinho acabou de comprar um, você começa a pensar: será que ele é melhor do que eu? Por que eu não tenho um carro assim? Eu também quero!!
E aí se afunda em dívidas para comprar o tal carro, só porque não quer ficar por baixo.

Muita gente consome em excesso para se exibir. Mostrar que tem grana, que é melhor que os outros...

Talvez eu seja um pouco “ingênua”, mas acho que o valor das pessoas deveria ser medido pelo que elas são, não pelo que elas têm. Muitos fazem questão de ostentar um padrão de vida altíssimo, mas são tão vazios por dentro que, se perdessem tudo o que possuem, não sobraria nada para contar história.

Mesmo entre os mais pobres, vejo tanta gente gastando o salário inteiro só para comprar o smartphone mais caro da loja, o tênis que custa R$800... Apenas para dizer que pode gastar, mesmo que o aluguel esteja atrasado e faça “gatonet” para assistir TV a cabo.

Acho que o mundo está focado demais nas aparências. Todos querem exibir suas conquistas materiais para comprovar uma felicidade que, em muitos casos, não existe. Tudo está muito “fake”.

Não quero ser chata, mas por que as pessoas não tentam se assumir como são? Por que essa necessidade doentia de querer aparecer e brilhar mais do que os outros?

Acho que sou ingênua mesmo. Ainda acredito que o maior valor está no SER, e não no TER.

domingo, 19 de agosto de 2012

A grama do vizinho é mais verde que a sua?



É engraçado como alguns filmes aparentemente bobos podem nos fazer refletir sobre a vida. É o caso de “Eu queria ter a sua vida”, uma comédia que estava passando ontem em um dos canais Telecine.

Seguindo a mesma linha dos nacionais “Se eu fosse você” I e II, o filme traz a história de dois amigos: o advogado Dave (Jason Bateman), que tem uma família de comercial de margarina, e o ator de “pornô light” Mitch (Ryan Reynolds), que parece ter se esquecido de sair da adolescência. Os dois invejam a vida um do outro, até que um dia, após uma bebedeira, eles descobrem que trocaram de corpos.

Enquanto não conseguem uma solução para o problema, os amigos são obrigados a assumir a vida um do outro. O imaturo Mitch passa a conviver com as atribulações profissionais e familiares do amigo. Obviamente, ele aprende a ser um homem mais responsável. Por sua vez, o certinho Dave percebe que a vida não se resume apenas a conquistar uma carreira de sucesso.

O filme alterna momentos divertidos com outros meio forçados, mas o interessante é a constatação de que muitas vezes invejamos a vida de outras pessoas por acreditar que elas são mais felizes do que nós. Será?

Quantas vezes você não desejou ter o emprego daquele amigo bem-sucedido, sem imaginar as cobranças e pressões que ele é obrigado a enfrentar? Ou sentiu inveja daquela vizinha de nariz empinado que vive desfilando modelitos de griffe, desconhecendo o fato de que ela está atolada em dívidas e leva chifre do marido? E o que dizer de tantas pessoas que aparentemente conseguiram tudo: dinheiro, fama, poder – tudo, menos felicidade?

Muitas vezes a mídia nos leva a acreditar que a grama do vizinho é sempre mais verde que a nossa, mas as aparências enganam. E como enganam!

E você, já desejou ter a vida de outra pessoa?

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Cuidado: seu perfil está sendo monitorado

Na hora de contratar funcionários, muitas empresas investigam os candidatos nas redes sociais. É possível avaliar um candidato apenas pelo perfil?


Foto: redcarpet via photopin cc

KAREM MOGNON


Marcos candidatou-se a uma vaga de analista de sistemas em uma empresa de grande porte. Apesar de possuir longa experiência profissional e pós-graduação, foi reprovado. O selecionador estranhou o fato de Marcos não ter um perfil no Facebook, e optou por um candidato menos qualificado porque o considerou mais “sociável”.

A história é fictícia, mas está mais próxima da realidade do que se imagina. Segundo uma reportagem do jornal britânico Daily Mail, pessoas responsáveis por contratar novos funcionários para empresas consideram “suspeito” que um candidato a uma vaga não possua perfil em algum site de relacionamento. Tal comportamento indicaria que a pessoa teve a conta cancelada por desrespeitar as regras internas, ou tem informações relevantes a esconder. A ausência nas redes poderia até revelar uma personalidade antissocial. Mas até que ponto esses critérios devem ser utilizados para avaliar os candidatos?

A psicóloga Andréa Pavlovitsch acredita que as empresas têm o direito de utilizar os processos seletivos que desejarem na hora da contratação. “Se o pretendente se candidata a uma determinada vaga e é necessário ter um perfil nas redes sociais, isso é uma regra da empresa. Assim como determinado curso de formação ou experiência, a empresa também pode ‘exigir’ que a pessoa tenha um perfil”.

Para a psicóloga, não participar de redes sociais pode até gerar dúvidas a respeito do candidato. “Se a pessoa não quer se expor, começa outra questão, ok, mas por quê? Se ela não tem o que esconder, não tem necessidade de se esconder. Ela pode controlar o que vai ou não parar nas suas redes sociais, mas de qualquer maneira, alguém que procura um emprego precisa se expor, até para ser visto pelo mercado”, afirma.

A assistente administrativa Márcia Lopes tem uma opinião diferente. Ela excluiu seu perfil do Facebook porque desejava preservar a privacidade, e acha que os recrutadores deveriam escolher outros métodos. “As empresas deveriam se preocupar mais é com a competência dos candidatos às vagas. De que adianta participar das redes e passar o dia inteiro postando bobagens em vez de trabalhar? Seria até melhor para as empresas se os funcionários não perdessem tanto tempo bisbilhotando a vida alheia e se concentrassem mais nas tarefas”, diz.

Fantasia ou realidade?

Além de criticar o excesso de exposição de alguns usuários, Márcia Lopes afirma que muitos usam seus perfis para se autoafirmar. “Conheço algumas pessoas que fazem questão de mostrar que suas vidas são perfeitas na internet, mas a realidade é bem diferente. Por isso, não dá para levar a sério essas informações”, diz a assistente administrativa.

Segundo Andrea Pavlovitsch, comportamentos desse tipo podem revelar uma necessidade de ser aceito pelas outras pessoas. “Quanto menos eu me aceito como pessoa, mais informações ‘normais’ eu passo para frente, ou seja, eu quero mostrar que eu cumpro os itens de normalidade social quando coloco que tenho um namorado ou um filho. A ânsia social hoje é esconder as ‘esquisitices’ e mostrar que sou legal, mesmo quando não sou”, afirma.

Embora considere as redes sociais como um bom complemento na hora de contratar funcionários, a psicóloga considera quase impossível analisar uma pessoa apenas por esse quesito. “Os perfis nem sempre são a realidade. A maioria cria uma fantasia sobre o seu ideal, e não o seu real. E isso complica mais ainda, porque o real pode ser melhor ou pior do que nas redes sociais. Então, é impossível saber o que é verdade ou não”, conclui Andrea.

Dicas de comportamento nas redes sociais
  • Não reclame da empresa em que trabalhou ou de seus ex-chefes. Se você fez isso com o antigo empregador, poderá fazer com o futuro. Participar de comunidades como odeio meu ex-chefe pode atrapalhar seu processo seletivo;
  • Cuidado com as fotografias do seu álbum. É melhor não se apresentar em imagens de biquíni ou de sunga no perfil pessoal;
  • Fotos do candidato com bebidas alcoólicas, entorpecentes ou portando armas podem indicar o perfil de uma pessoa encrenqueira;
  • Comentários/vídeos e assuntos polêmicos chamam a atenção. Não extrapole em opiniões religiosas, culturais e políticas, pois pode ferir o direito de terceiros;
  • Nada de palavrões ou expressões chulas. Você será julgado pela imagem que passar. A primeira impressão é a que fica.
  • Muita atenção com os erros de português e não conte mentiras em seu perfil.
Fonte: G1

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Toca pro inferno, motorista!

Foto: Rede Globo/divulgação

Avenida Brasil se superou mais uma vez. Na cena levada ao ar ontem (08/08), vimos Carminha (Adriana Esteves) chegar ao fundo do poço. Depois de ser forçada a bancar a empreguete, ter o cabelo cortado, comer macarrão com salsicha e passar toda sorte de humilhações nas mãos de Nina (Debora Falabella), Carminha viu seu mundo desabar de vez ao descobrir que Max (Marcello Novaes), seu eterno amante e parceiro nos golpes, resolveu trocá-la por sua maior inimiga.

Desorientada, Carminha bateu o carro e se feriu levemente. Foi parar em um boteco e começou a encher a cara de pinga, enquanto desabafava com alguns desconhecidos sobre as injustiças da vida. Talvez pelo fato de estar bêbada, Carminha mostrou uma faceta mais humana de sua personalidade. Ela é má, sádica, desonesta e infiel, mas também tem seus pontos fracos.

Que droga de vida é essa?
Pra que a gente vive? Pra esperar a hora de morrer?
O que é que vale a vida? Nada! Nada!
Ei, você, me recolhe aqui. Eu sou igual a isso aí que vocês estão recolhendo.
Um bando de porcaria estragada. Estou assim bem vestida mas vim do lixo.
E fui jogada no lixo de novo.
Estou de volta no lixo. Meu lugar é o lixo

Pra fechar com chave de ouro, ela pegou carona em um caminhão de lixo e pediu, pouco antes de entornar a garrafa de pinga pelo gargalo: “Toca pro inferno, motorista!”.

Como noveleira de carteirinha, posso dizer que essa cena já entrou para a minha galeria de momentos inesquecíveis da teledramaturgia. Não só pela ótima atuação da Adriana, a qualidade do monólogo ou excelente direção, mas principalmente por ter mostrado uma situação com a qual muitos telespectadores devem ter se identificado. Quem nunca se sentiu um verdadeiro lixo, ou se viu tão perdido que não sabia mais qual rumo tomar?

Acredito que a maioria das pessoas já vivenciou momentos de desespero e solidão como os de Carminha. No caso da personagem, de que adiantaram tantos golpes e maldades para se dar bem se no fundo ela é infeliz? Mesmo que a Nina não estivesse ali para se vingar, a vida que Carminha leva é uma grande mentira. O filho não gosta dela, o casamento foi por interesse, o amante é um pau-mandado que só arruma confusão...

Sei que é clichê dizer que “o dinheiro não traz felicidade”, mas no caso da Carminha, não trouxe mesmo. Ela pode ter uma vida de luxo, roupas caras, desviar dinheiro para sua conta secreta, etc. Mas feliz, ela não é. E isso ficou mais do que provado na cena perfeita que encerrou o capítulo de ontem.



domingo, 5 de agosto de 2012

Seu Cadinho e suas três mulheres

Eu estava sem ideias para escrever um post. Depois de muito pensar, resolvi abordar um assunto “light”: novela. Mais precisamente, Avenida Brasil.

Antes de mais nada, quero dizer que adoro AVBR. Depois de tantas novelas chatas exibidas no horário, esta trouxe um sopro de renovação e criatividade. Ok, eu sei que vingança não é um tema tão inédito assim. Mas o modo inspirado como o autor João Emanuel Carneiro elabora a trama e os diálogos transforma esse velho clichê folhetinesco em cenas eletrizantes e memoráveis para quem assiste.

O autor não é o único responsável pelo sucesso de Avenida Brasil. O elenco está ótimo no geral, com destaque para Adriana Esteves e Débora Falabella. Confesso que antigamente achava a Adriana muito fraca como atriz. Só comecei a vê-la de outra forma quando ela fez a Catarina de O Cravo e a Rosa. Como Carminha, está perfeita. Provoca pena, repulsa, raiva e até risadas.

Apesar de todos os pontos positivos, a novela não é perfeita. Alguns núcleos são bem chatinhos, e o pior de todos com certeza é o do Cadinho (Alexandre Borges) e suas três mulheres idiotas. Nada contra os atores que são ótimos, mas os personagens beiram a imbecilidade. Mais uma vez, repete-se o manjado clichê do homem polígamo disputado por suas mulheres sem um pingo de autoestima. Sim, pois apenas uma mulher sem amor-próprio aceitaria dividir um homem com outras duas.

Analisando as personagens, encontramos três mulheres bonitas, ricas e supostamente bem resolvidas. O que leva Verônica, Noêmia e Alexia a compartilharem o mesmo homem como se fosse a coisa mais natural do mundo? Cadinho pode até ser um homem atraente e rico, mas é um infiel de carteirinha. Depois de enganar Verônica e Noêmia durante anos, as duas se conformaram em oficializar a situação apenas para não perder o “macho provedor”. Já Alexia era a amante que virou a esposa da vez. Quando descobriu que Cadinho estava saindo com as ex-mulheres, não hesitou em propor um “rodízio de marido”.

Ok, vão dizer que isso é novela, que não tem nada a ver com a realidade, etc. Será? O que mais tem por aí é mulher que aceita o papel de amante. Muitas “titulares” sabem que o marido pula a cerca, mas fingem ignorar, seja por comodismo, seja por falta de amor-próprio. São mulheres que se sujeitam a situações humilhantes “por amor” a um homem, demonstrando uma completa ausência de autoestima.

Aliás, esse deve ser o caso das três personagens. Será possível que não existam outros homens interessantes no Rio de Janeiro, a ponto das três aceitarem essa versão “moderna” de harém?

Se eu fosse João Emanuel Carneiro, deixaria o Cadinho sozinho no final da novela. Suas mulheres tomariam vergonha nas caras e encontrariam homens que realmente as respeitassem. O mais provável, porém, é que o quarteto termine junto, todos “felizes para sempre”. Se a intenção era ser engraçado, sorry. Dessa vez, não deu certo.