segunda-feira, 30 de julho de 2012

Consequências da TPM

Foto: Nicola Albertini via photopin cc
A TPM não atinge apenas as mulheres, mas também seus parceiros, familiares e até colegas de trabalho.

ADRIANA FÉLIX
KAREM MOGNON

Todo mês é a mesma coisa: cólicas, dor de cabeça, irritação e tristeza sem motivo aparente. Sintomas como esses caracterizam a temida TPM (Tensão Pré-Menstrual), que afeta oito entre dez mulheres brasileiras, de acordo com uma pesquisa recente realizada pela Unicamp (Universidade de Campinas). Outra conclusão foi a de que o Brasil pode ser considerado o país da TPM, se comparado à média mundial. “Alguns estudos já apontavam que as brasileiras sofrem mais de TPM do que as mulheres européias ou americanas, mas o maior diferencial da pesquisa realizada pela Unicamp foi a de ter envolvido as cinco regiões do país”, afirma a psicóloga e professora da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Maria Regina Domingues de Azevedo, de Santo André.

“A diferença do percentual encontrado neste trabalho pode estar relacionada à metodologia utilizada na pesquisa, ou ao fato das brasileiras se mostrarem sensíveis, se queixando mais. Ou ainda, a influencia de fatores ambientais e hábitos de vida que favorecem a presença da TPM”, diz Maria Regina Azevedo, que é especialista em Sexualidade Humana. Segundo ela, características peculiares à cultura, herança genética, hábitos, estilo de vida, alimentação e a influencia da mídia são fatores que possivelmente repercutem na discrepância apontada. Dessa forma, adverte: “o resultado apresentado não deve ser considerado alarmante, pois trabalhos científicos publicados em diferentes países mostram uma variação de 5% a 97% de incidência de SPM em mulheres na faixa etária estudada”. A pesquisa foi realizada com mulheres com idade acima de 18 anos.

“Os sintomas de maior prevalência são compatíveis com os verificados no estudo da Unicamp, e sua intensidade pode ser classificada em três níveis: leve, moderado e intenso”, afirma a psicóloga. Os mais comuns são: fadiga, dor de cabeça, inchaço, cólicas, dor nos seios e alteração no apetite, com aumento do desejo por doces. Sentimentos como irritabilidade, depressão, ansiedade, tensão, tristeza repentina, choro aparentemente sem motivo, raiva, agressividade e baixa auto-estima também são freqüentes. Para que o diagnóstico seja confirmado, a especialista da FMABC ressalta que a paciente deve apresentar cinco sintomas, sendo um deles obrigatoriamente emocional, em pelo menos sete ciclos dos últimos 12 meses, ou por três ciclos consecutivos, segundo alguns pesquisadores em estudos publicados.

A professora, A.A.P., 36, de São Caetano, sofre com o problema há muito tempo e se identifica com várias características descritas. “A TPM anuncia sua chegada com alterações algumas vezes sutis e outras mais marcantes, como a mudança de humor, maior sensibilidade e irritabilidade. Coisas triviais me levam a rompantes de raiva e choro, como se a vida fosse tomada por cores berrantes e não existisse mais meio termo. Com o tempo, aprende-se a percebê-la e a temperar essas situações com bom-senso”. Devido à TPM, A.A. P. conta que já passou por vários acontecimentos inusitados: “Uma crise de choro por algo que ninguém entendeu, durante um filme de comédia. Ou então, uma explosão de raiva por alguém ter esquecido um detalhe que talvez nem fosse assim tão importante naquele momento”.

Contudo, ela se recorda com mais atenção e preocupação de um fato que poderia ter tomado um rumo diferente, levando em consideração o alto índice de violência no trânsito. “Um motorista ralou a lateral traseira do meu carro ao tentar manobrar na vaga onde estava estacionado. Ao perceber a barbeiragem, tentou fugir. Imediatamente eu dei ré, trancando sua passagem. Saí do carro e exigi seus documentos. Quando este tentou mais uma vez manobrar para fugir, praticamente o desafiei a descer e se portar feito homem. Após esse incidente, tento me lembrar de respirar pausadamente antes de qualquer coisa, mas nem sempre isso é possível. Para mim, naquele momento de TPM, parecia a situação mais racional”, afirma a professora.

A TPM não atinge apenas as mulheres, mas também seus parceiros, familiares e até colegas de trabalho. “A orientação é imprescindível, afinal não é fácil conviver com alguém que todo mês pode ter uma crise de choro ou uma explosão de raiva”, diz Maria Regina de Azevedo. O vendedor R.R., 28, morador de Diadema, já sofreu muito com as crises de TPM da namorada. “Uma vez, ela me viu conversando com uma amiga e ficou louca de ciúme. Xingou a menina e fez o maior barraco no meio da rua. Chegou a dizer que estava tudo acabado entre nós. Algumas horas depois, mais calma, me ligou e pediu desculpas pela atitude, dizendo que era culpa da TPM”, revela R.R.
Como prevenir - De acordo com a psicóloga Maria Regina de Azevedo, apesar da alta incidência de TPM, do desconforto físico, das oscilações de humor, do descontrole emocional e das conseqüências que repercutem no contexto sócio-familiar-profissional, um número significativo de mulheres não procura ajuda especializada. É o caso de A.P.P., que ao ser questionada sobre uma possível ajuda médica, se mostra cética. “Não acredito em intervenções psicoativas para esses casos”, diz.

A analista de sistemas L.R., 32, de Santo André, já tentou fazer tratamento com remédio fitoterápico, mas não adiantou. “Era à base de semente de prímula. No primeiro mês achei que deu um bom resultado, só depois não surtiu mais efeito”. A analista sofre com fortes dores na cabeça e nos seios, além de ter mais vontade de comer doces, especialmente chocolates. Mas o pior sintoma é a irritabilidade, “normalmente, brigo mais nessa época. Qualquer coisa me tira do sério, e às vezes até choro. Minha mãe e meu marido já reclamaram do meu comportamento, porque acham que eu fico muito irritada e brigando por motivos banais”.

Entretanto, L.R. não tem a menor paciência com a TPM de outras pessoas. “Tive uma colega de trabalho que ficava mal-humorada e respondia de um jeito grosseiro quando alguém fazia qualquer pergunta. Isso me irritava bastante, porque além de ser muito estresse por nada, ninguém tinha culpa da TPM dela”, diz.

A professora da FMABC acredita que muitos profissionais ainda não dão a devida atenção ao problema, deixando de orientar e tratar as pacientes com o cuidado necessário. “Procurar ajuda de profissionais especializados que reconheçam verdadeiramente a TPM é fundamental, pois além de ser decorrente de diferentes fatores, cada mulher reage de uma forma. A orientação e o tratamento que foram excelentes para uma determinada paciente não necessariamente serão eficazes para outra. E deve-se lembrar sempre que existem vários tratamentos para minimizar os sintomas que tanto afligem a mulher”, ressalta.
Não se pode afirmar que a TPM seja decorrente de uma única causa, mas é possível preveni-la. “Como é provocada por vários fatores, a solução mais indicada seria a associação de condutas, tais como: mudança nos hábitos alimentares, prática de atividade física sistemática e redução de fatores estressantes”, diz a psicóloga.

Em relação à alimentação, a especialista recomenda evitar alimentos gordurosos e os que contêm alto teor de sódio, como frios, embutidos e carnes processadas, frituras, café, refrigerante e bebida alcoólica. Em contrapartida, sugere o aumento da ingestão de verduras, frutas e legumes, carnes magras cozidas, assadas ou grelhadas. Outro conselho é consumir oleaginosas, como castanhas, nozes e avelãs, em pequenas porções, assim como tomar bastante líquido (água, chá e sucos naturais). A soja e seus derivados também são bem vindos na dieta para combater a TPM.


2 comentários:

  1. Sei bem como é esse inferno chamado TPM. Dá vontade de esmurrar um! Eu me acabo nos doces pra tentar me acalmar um pouco.

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  2. Eu tmb me acabo nos doces, cara leitora anônima!

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