sábado, 20 de outubro de 2012

O final inovador (e trash) de Avenida Brasil


Foto: Divulgação/Rede Globo

Acho que muita gente ficou descontente com o final de Avenida Brasil, principalmente em relação à Carminha (Adriana Esteves). A maioria torcia para que ela fugisse do país e terminasse a novela linda, loura e milionária, ou então louca no hospício. Eu já acho que esses finais seriam extremamente repetitivos. Além disso, o desfecho escolhido mostrou que até pessoas como Carminha podem se arrepender de seus atos e se redimirem.

Faço parte da minoria que aprovou o final escrito pelo autor João Emannuel Carneiro. Para surpresa geral, Carminha salvou as vidas de Tufão e Nina e se entregou à polícia. Muitos acharam a atitude da personagem incoerente, mas eu discordo. Apesar de todas as suas maldades, Carminha nunca foi uma assassina. É verdade que ela confessou ter matado o Max, mas o crime foi considerado legítima defesa.

Depois que Nina atingiu seu objetivo de desmascarar Carminha, seria muito previsível que a vilã tentasse matar a ex-enteada. Bem mais surpreendente foi ver Carminha salvando Nina, que passou a novela inteira tentando destruí-la (mesmo que Nina tivesse seus motivos para isso). Afinal, se a própria Nina agiu como vilã em algumas situações, por que Carminha não poderia ter o seu “momento mocinha”?

Eu gostei muito de ver Carminha se reconciliando com Nina. É claro que a vingança da Nina era a razão de ser da novela e rendeu capítulos de grande suspense. Mas acho que, de certa forma, o autor quis mostrar que a vingança não leva a lugar nenhum.

Também discordo que a personagem tenha virado uma santa de uma hora para outra. Carminha era, antes de tudo, uma mulher perturbada. Viu o pai matar a mãe, depois foi jogada por ele (que provavelmente abusava dela) no lixão, e cresceu achando que a vida era assim mesmo: cada um por si. Não estou justificando os erros dela, que foram muitos. Mas alguém com seu histórico não consegue ter o mesmo discernimento de pessoas que não enfrentaram situações tão trágicas.

Agora a parte trash:

- Os finais podres dos núcleos Suellen & seus machos (?) e de Cadinho & suas mulheres. Não consigo achar graça nesses "casais" bígamos e trigamos, ainda que seja na ficção.

- O trauma do Adaulto com a chupeta. Custo a acreditar que o autor de cenas tão bombásticas seja a mesma pessoa que escreveu essa tosquice.

- E o mais ridículo: a novela terminar naquele jogo de futebol. Me deu até raiva quando vi a bandeira do Divino FC congelada com a palavra “Fim”. Teria sido mil vezes melhor encerrar com a cena em que Nina e Carminha fazem as pazes no lixão

Apesar de alguns tropeços, Avenida Brasil deixará saudades por ter sido uma novela com tramas dinâmicas e ótimas interpretações. Vai ser difícil aparecer outra assim nos próximos anos!

domingo, 9 de setembro de 2012

Acredite, tudo vai dar certo!


Foto: moionet  via Photopin cc
 
Sabe aqueles dias em que tudo parece dar errado? O trânsito está péssimo, brigamos com alguma pessoa querida (ou não), o computador enguiça, etc, etc?

Parece até que o Universo inteiro está contra nós. Em alguns casos mais graves (desemprego, doenças), chegamos até a perder a esperança de que as coisas melhorem algum dia.

De uns tempos pra cá, comecei a ler muito sobre a Lei da Atração, O Segredo, etc. No começo não acreditava muito, mas comecei a “testar” essas teorias em determinadas situações e acabei descobrindo que a maneira de pensar influencia e muito nas situações à nossa volta.

Quando estamos felizes e de bem com a vida, parece que tudo flui mais facilmente. Mesmo se acontecer algum imprevisto, fica mais fácil lidar.

Porém, se estivermos num daqueles dias “difíceis” onde tudo tira nossa paciência e explodimos por qualquer besteira, a probabilidade de continuarmos atraindo situações ruins aumenta de maneira exponencial.

A Lei da Atração diz que todos os pensamentos e sentimentos que emitimos retornam para nós de acordo com a vibração deles. Ou seja, se nos sentirmos bem e felizes, atrairemos mais bem-estar e felicidade. Se estivermos de mau-humor e com raiva de tudo e todos, atrairemos mais situações que nos tornarão ainda pior o nosso estado emocional.

A solução para os momentos de tristeza e irritação é mudar o foco. Quando estiver a ponto de querer “esganar” uma pessoa que te incomoda, saia de perto e vá se ocupar com outras coisas. Se isso não for possível, pelo menos vá ouvir uma música que goste, porque assim mudará seu estado de espírito.

Outro aprendizado que a Lei da Atração me trouxe é ser grata por tudo o que tenho. Quanto mais agradecemos pelas coisas positivas à nossa volta, mais o Universo trará situações e pessoas que nos trarão alegria. E quanto mais nos queixarmos de algo, atrairemos mais motivos para nos queixarmos.

Então, em vez de se lamentar pela falta de dinheiro, agradeça pelo que já tem.

É justamente nos momentos em que tudo parece conspirar contra nós que devemos ser ainda mais fortes e acreditarmos que tudo vai melhorar!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Sim, você pode!



Foto: padraicwoods via Photopin cc


Hoje eu quero falar sobre superação.

"Ser um empreendedor é executar os sonhos, mesmo que haja riscos. É enfrentar os problemas, mesmo não tendo forças. É caminhar por lugares desconhecidos, mesmo sem bússola. É tomar atitudes que ninguém tomou. É ter consciência de que quem vence sem obstáculos triunfa sem glória. É não esperar uma herança, mas construir uma história...

Quantos projetos você deixou para trás?

Quantas vezes seus temores bloquearam seus sonhos?

Ser um empreendedor não é esperar a felicidade acontecer, mas conquistá-la".
(Augusto Cury)

Já superei muitas coisas na vida, mas uma que me dá orgulho de recordar é ter vencido o medo de dirigir.

Eu já tinha passado dos 18 há muito tempo quando resolvi tirar minha primeira habilitação. Fiquei muito feliz quando consegui, mas aí surgiu um problema: eu não tinha coragem nem de sair da minha garagem sozinha! Sentia medo de tudo: de bater o carro, de parar numa ladeira íngreme, de deixar o carro morrer e ouvir buzinadas, de estacionar nas vagas, etc, etc.

Muitas vezes fui pegar ônibus embaixo de chuva porque o meu medo era maior do que tudo. Eu me sentia péssima!

Querendo me ajudar, meu marido saiu de carro comigo algumas vezes para que eu pudesse treinar a direção. Só que os maridos geralmente não têm muita paciência com motoristas inexperientes...

Depois de ralar o carro duas vezes no pilar da minha garagem, percebi que precisava de ajuda profissional. Procurei a Cecília Bellina, um centro de treinamento para motoristas “medrosos”. Com a ajuda da terapia em grupo e das aulas práticas com um treinador extremamente paciente, eu fui superando a minha fobia para dirigir.

Foi o melhor investimento que já fiz. Hoje eu consigo ir a vários lugares sem medo e, modéstia a parte, dirijo bem. O melhor de tudo é a sensação de ter superado algo que atrapalhava minha vida. Além disso, eu descobri na prática que é possível combater os obstáculos com muita coragem e força de vontade.

Muitas pessoas se deixam vencer por medos, desânimos, falta de dinheiro, etc. Mas quando a gente quer realmente uma coisa, nada é impossível.

Vale a pena ir atrás dos nossos sonhos! Mesmo que no final não consigamos os resultados esperados, valerá pela experiência adquirida. E também pela tentativa! Mesmo que dê errado, nunca é tarde para tentar outra vez.

Como dizia aquele filme antigo: Retroceder nunca, desistir jamais!
























quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Trate os outros como gosta de ser tratado


Foto: Tomer_a via Photopin cc 
 
Eu sempre gostei muito daquele ditado: “Faça aos outros aquilo que gostaria que fizessem a você”. Pena que muitas pessoas ignoram completamente o significado dessa frase. São pessoas que nunca se colocam no lugar do outro.

Exemplos não faltam. Já tive vizinhos que faziam barulho de madrugada, andando de salto alto e arrastando móveis, sem se importar se os vizinhos que moravam embaixo precisavam dormir. E quando reclamávamos, tinham a cara de pau de negar. Eu adoraria saber como eles reagiriam se passassem por uma situação como essa na hora em que fossem dormir.

Outra coisa que me irrita muito é gente que fica mandando mensagem no celular enquanto dirige. Será que esses motoristas não pensam que estão colocando em risco as vidas de outras pessoas? Sim, por que não dá pra dirigir e digitar ao mesmo tempo, certo? Eu não sei qual é o valor da multa pra quem dirige falando no celular (que também é errado), mas digitar mensagens é pior ainda. Deveria ser o dobro.

E por falar em usar o celular em horas erradas, eu costumava fazer as unhas em um salão onde a manicure ficava interrompendo o trabalho a todo o momento para ficar mandando mensagens de texto. E isso acontecia sempre, era um verdadeiro vício. Uma desconsideração com as clientes, que tinham que dividir a atenção dela com o celular. Eu não frequento mais o salão, mas se fosse a dona dele, daria um ultimato pra essa moça: ou você faz o seu trabalho e pinta as unhas das clientes, ou tchau! O que não faltam são manicures querendo trabalhar.

Enfim, o que mais vemos por aí são situações assim, em que as pessoas só pensam em si mesmas e os outros que se danem!

O mundo está precisando de gente menos egoísta e mais solidária, que respeite as outras pessoas e tenha bom senso para perceber se não está prejudicando ninguém com suas atitudes.

Pessoalmente, eu acredito que tudo o que  plantamos acabamos colhendo algum dia. Se hoje você humilha alguém, amanhã poderá ser humilhado. Se hoje sacaneia alguém, cuidado: amanhã, poderá ser você o sacaneado.

Da mesma forma, se você faz algo bom por uma pessoa que não reconhece e até retribui seu gesto com ingratidão, não se preocupe. Todo o bem que fizermos será recompensado, de um modo ou de outro. Acredite!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Geração Peter Pan

Foto: Loren Javier via Photopin cc

Outro dia eu estava conversando com uma amiga sobre a imaturidade dos jovens adultos de hoje. No caso, sobre os “trintões” que ainda moram com os pais por comodidade, mesmo tendo condições de sair de casa. Mas existem outras espécies de adultos infantilizados, como os jovens recém-formados que mal entram nas empresas e querem ser promovidos a diretores alguns meses depois.

Isso sem falar naqueles que prorrogam a adolescência até os quarenta e não querem assumir nenhum tipo de relacionamento mais sério. Ou daqueles que se casam e tem filhos mas continuam dependendo dos pais, seja financeiramente, seja para tomar conta da prole.

Como definiu minha amiga: é a geração “Peter Pan”, uma geração que se recusa a crescer e assumir as responsabilidades da vida de adulto.

Infelizmente esse quadro tende a piorar, porque o que mais vemos por aí são crianças se jogando no chão do shopping para exigir que os pais comprem algo, chegando até a bater neles. E geralmente os pais cedem aos caprichos infantis, por vergonha das pessoas que estão assistindo a cena ou porque não conseguem negar nenhum pedido dos filhos. O que eles não percebem é que um dia essas crianças serão adultos e o mundo não terá peninha deles na hora de dizer não!

Fico pensando: por que será que a Geração Peter Pan se tornou tão dependente e imatura? Em parte, a culpa é dos próprios pais, que acostumaram os filhos a ter tudo na mãozinha. Quem não conhece aquelas mães que fazem tudo pelos “filhinhos” já marmanjos, só faltando dar comida na boquinha? Ou aqueles pais que pagam faculdade, mestrado, doutorado, pós-doutorado, etc para os filhos que nunca trabalharam porque estão “estudando”? Quem nunca ouviu aquela famosa frase: “Meu filho (a) terá tudo que eu não tive”?

Eu ainda não sou mãe, mas de uma coisa tenho certeza: criar filhos “reizinhos”, que dão ordens aos pais e ganham tudo o que pedem só irá prejudicá-los futuramente. Se a pessoa é acostumada a ter tudo o que deseja sem esforço, por que ela iria lutar para conseguir alguma coisa por seu próprio mérito?

Tenho até pena das crianças de classe-média que crescem cercadas por todo tipo de mimos e não conhecem o mundo real. Como dizem por aí, são criadas “tomando leite com pêra e ovomaltine”. São crianças que muitas vezes nunca pegaram um ônibus e que ignoram completamente outras realidades além das que estão acostumadas. Criadas em condomínios de alto padrão, passam o dia inteiro jogando videogame e acham que a vida se resume a se divertir e a consumir tudo o que aparece na TV.

Tenho pena porque um dia elas terão que encarar a “vida real”, e descobrirão do pior modo que nem tudo é tão cor-de-rosa quanto elas pensam. Lá fora existe pobreza, violência e, principalmente, existem pessoas que não se curvarão aos seus caprichos.

Por experiência própria, posso afirmar que na maioria dos casos as pessoas só amadurecem quando enfrentam situações difíceis. Quando enfrentam frustrações, obstáculos e ouvem “nãos” da vida. É quando percebem que nem tudo é como desejamos, e são obrigadas a lidar com isso.

Crescer dói. Muito. Mas é melhor crescer do que passar a vida inteira infantilizado, esperando que “papai e mamãe” resolvam tudo por nós.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Thalita Rodrigues e a superação de limites


Foto: divulgação
 
A tenista Thalita Rodrigues, 18, é considerada uma das promessas do esporte brasileiro para as Olimpíadas de 2016. Ela está em quarto lugar no ranking até 18 anos da Confederação Brasileira de Tênis (CBT). O mais impressionante é que Thalita nasceu sem o antebraço esquerdo. Sua mãe contraiu rubéola durante a gravidez, o que acarretou a deficiência.
Como se não bastasse, a tenista não possui preparador físico, nem nutricionista. Mais: não tem patrocínio, apenas o apoio da loja Real Esporte, que realiza a troca de cordas de sua raquete. Thalita só viaja pelo país para participar dos campeonatos porque o patrocinador da CBT oferece passagens e hospedagem para os 30 mais bem colocados no ranking por categoria.
Thalita teria tudo para desistir. No entanto, sua força de vontade fez dela um exemplo de superação. Apesar da deficiência, da falta de patrocínio e de preparador físico, ela venceu os próprios limites e está se destacando como tenista. Já foi campeã de três torneios de duplas, e disputou o torneio classificatório profissional do Aberto de Brasília.

É até irônico. Vemos tantas pessoas sem nenhum tipo de deficiência, em condições econômicas superiores às de Thalita, e que não realizaram um décimo do que ela já conquistou. Pior: quantos jovens dessa idade que ganham tudo de mão beijada e estão por aí enchendo a cara, tirando racha, traficando drogas, queimando e batendo em mendigos?
Essa garota é realmente um exemplo para todo mundo. Parabéns, Thalita!

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Consumismo: por que comprar tanto?

Foto: antjeverena via Photopin cc
Segundo uma pesquisa recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea),  mais da metade das famílias brasileiras está endividada. Entre elas, uma em cada três está com as contas atrasadas.

As pessoas estão cada vez mais consumistas. Não serei hipócrita de dizer que não gosto de comprar uma roupa nova ou aquela sandália linda que vi na vitrine. Mas perto da maioria das pessoas, sou bem controlada. Às vezes me pergunto: sou normal? Porque a impressão que eu tenho é que o resto do mundo está repetindo o mesmo mantra: comprar, comprar, comprar!

Por que as pessoas dão tanta importância a isso? Em parte, porque são incentivadas pela mídia o tempo todo. Os comerciais estão aí para jogar na sua cara que você só será o cara mais bonito, bem-sucedido e descolado se usar o produto X. E você, mulher “encalhada”, só vai arrumar um homem se usar a maquiagem Y e o shampoo Z!

É claro que a publicidade é necessária para divulgar os produtos, gerar vendas e produzir empregos. O problema é que as pessoas assistem essas coisas e acham que só conseguirão ser felizes se comprarem todos esses produtos "milagrosos".

Aí entra mais uma questão: se você ainda não tem aquele carro importado que aparece no comercial e o seu vizinho acabou de comprar um, você começa a pensar: será que ele é melhor do que eu? Por que eu não tenho um carro assim? Eu também quero!!
E aí se afunda em dívidas para comprar o tal carro, só porque não quer ficar por baixo.

Muita gente consome em excesso para se exibir. Mostrar que tem grana, que é melhor que os outros...

Talvez eu seja um pouco “ingênua”, mas acho que o valor das pessoas deveria ser medido pelo que elas são, não pelo que elas têm. Muitos fazem questão de ostentar um padrão de vida altíssimo, mas são tão vazios por dentro que, se perdessem tudo o que possuem, não sobraria nada para contar história.

Mesmo entre os mais pobres, vejo tanta gente gastando o salário inteiro só para comprar o smartphone mais caro da loja, o tênis que custa R$800... Apenas para dizer que pode gastar, mesmo que o aluguel esteja atrasado e faça “gatonet” para assistir TV a cabo.

Acho que o mundo está focado demais nas aparências. Todos querem exibir suas conquistas materiais para comprovar uma felicidade que, em muitos casos, não existe. Tudo está muito “fake”.

Não quero ser chata, mas por que as pessoas não tentam se assumir como são? Por que essa necessidade doentia de querer aparecer e brilhar mais do que os outros?

Acho que sou ingênua mesmo. Ainda acredito que o maior valor está no SER, e não no TER.

domingo, 19 de agosto de 2012

A grama do vizinho é mais verde que a sua?



É engraçado como alguns filmes aparentemente bobos podem nos fazer refletir sobre a vida. É o caso de “Eu queria ter a sua vida”, uma comédia que estava passando ontem em um dos canais Telecine.

Seguindo a mesma linha dos nacionais “Se eu fosse você” I e II, o filme traz a história de dois amigos: o advogado Dave (Jason Bateman), que tem uma família de comercial de margarina, e o ator de “pornô light” Mitch (Ryan Reynolds), que parece ter se esquecido de sair da adolescência. Os dois invejam a vida um do outro, até que um dia, após uma bebedeira, eles descobrem que trocaram de corpos.

Enquanto não conseguem uma solução para o problema, os amigos são obrigados a assumir a vida um do outro. O imaturo Mitch passa a conviver com as atribulações profissionais e familiares do amigo. Obviamente, ele aprende a ser um homem mais responsável. Por sua vez, o certinho Dave percebe que a vida não se resume apenas a conquistar uma carreira de sucesso.

O filme alterna momentos divertidos com outros meio forçados, mas o interessante é a constatação de que muitas vezes invejamos a vida de outras pessoas por acreditar que elas são mais felizes do que nós. Será?

Quantas vezes você não desejou ter o emprego daquele amigo bem-sucedido, sem imaginar as cobranças e pressões que ele é obrigado a enfrentar? Ou sentiu inveja daquela vizinha de nariz empinado que vive desfilando modelitos de griffe, desconhecendo o fato de que ela está atolada em dívidas e leva chifre do marido? E o que dizer de tantas pessoas que aparentemente conseguiram tudo: dinheiro, fama, poder – tudo, menos felicidade?

Muitas vezes a mídia nos leva a acreditar que a grama do vizinho é sempre mais verde que a nossa, mas as aparências enganam. E como enganam!

E você, já desejou ter a vida de outra pessoa?

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Cuidado: seu perfil está sendo monitorado

Na hora de contratar funcionários, muitas empresas investigam os candidatos nas redes sociais. É possível avaliar um candidato apenas pelo perfil?


Foto: redcarpet via photopin cc

KAREM MOGNON


Marcos candidatou-se a uma vaga de analista de sistemas em uma empresa de grande porte. Apesar de possuir longa experiência profissional e pós-graduação, foi reprovado. O selecionador estranhou o fato de Marcos não ter um perfil no Facebook, e optou por um candidato menos qualificado porque o considerou mais “sociável”.

A história é fictícia, mas está mais próxima da realidade do que se imagina. Segundo uma reportagem do jornal britânico Daily Mail, pessoas responsáveis por contratar novos funcionários para empresas consideram “suspeito” que um candidato a uma vaga não possua perfil em algum site de relacionamento. Tal comportamento indicaria que a pessoa teve a conta cancelada por desrespeitar as regras internas, ou tem informações relevantes a esconder. A ausência nas redes poderia até revelar uma personalidade antissocial. Mas até que ponto esses critérios devem ser utilizados para avaliar os candidatos?

A psicóloga Andréa Pavlovitsch acredita que as empresas têm o direito de utilizar os processos seletivos que desejarem na hora da contratação. “Se o pretendente se candidata a uma determinada vaga e é necessário ter um perfil nas redes sociais, isso é uma regra da empresa. Assim como determinado curso de formação ou experiência, a empresa também pode ‘exigir’ que a pessoa tenha um perfil”.

Para a psicóloga, não participar de redes sociais pode até gerar dúvidas a respeito do candidato. “Se a pessoa não quer se expor, começa outra questão, ok, mas por quê? Se ela não tem o que esconder, não tem necessidade de se esconder. Ela pode controlar o que vai ou não parar nas suas redes sociais, mas de qualquer maneira, alguém que procura um emprego precisa se expor, até para ser visto pelo mercado”, afirma.

A assistente administrativa Márcia Lopes tem uma opinião diferente. Ela excluiu seu perfil do Facebook porque desejava preservar a privacidade, e acha que os recrutadores deveriam escolher outros métodos. “As empresas deveriam se preocupar mais é com a competência dos candidatos às vagas. De que adianta participar das redes e passar o dia inteiro postando bobagens em vez de trabalhar? Seria até melhor para as empresas se os funcionários não perdessem tanto tempo bisbilhotando a vida alheia e se concentrassem mais nas tarefas”, diz.

Fantasia ou realidade?

Além de criticar o excesso de exposição de alguns usuários, Márcia Lopes afirma que muitos usam seus perfis para se autoafirmar. “Conheço algumas pessoas que fazem questão de mostrar que suas vidas são perfeitas na internet, mas a realidade é bem diferente. Por isso, não dá para levar a sério essas informações”, diz a assistente administrativa.

Segundo Andrea Pavlovitsch, comportamentos desse tipo podem revelar uma necessidade de ser aceito pelas outras pessoas. “Quanto menos eu me aceito como pessoa, mais informações ‘normais’ eu passo para frente, ou seja, eu quero mostrar que eu cumpro os itens de normalidade social quando coloco que tenho um namorado ou um filho. A ânsia social hoje é esconder as ‘esquisitices’ e mostrar que sou legal, mesmo quando não sou”, afirma.

Embora considere as redes sociais como um bom complemento na hora de contratar funcionários, a psicóloga considera quase impossível analisar uma pessoa apenas por esse quesito. “Os perfis nem sempre são a realidade. A maioria cria uma fantasia sobre o seu ideal, e não o seu real. E isso complica mais ainda, porque o real pode ser melhor ou pior do que nas redes sociais. Então, é impossível saber o que é verdade ou não”, conclui Andrea.

Dicas de comportamento nas redes sociais
  • Não reclame da empresa em que trabalhou ou de seus ex-chefes. Se você fez isso com o antigo empregador, poderá fazer com o futuro. Participar de comunidades como odeio meu ex-chefe pode atrapalhar seu processo seletivo;
  • Cuidado com as fotografias do seu álbum. É melhor não se apresentar em imagens de biquíni ou de sunga no perfil pessoal;
  • Fotos do candidato com bebidas alcoólicas, entorpecentes ou portando armas podem indicar o perfil de uma pessoa encrenqueira;
  • Comentários/vídeos e assuntos polêmicos chamam a atenção. Não extrapole em opiniões religiosas, culturais e políticas, pois pode ferir o direito de terceiros;
  • Nada de palavrões ou expressões chulas. Você será julgado pela imagem que passar. A primeira impressão é a que fica.
  • Muita atenção com os erros de português e não conte mentiras em seu perfil.
Fonte: G1

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Toca pro inferno, motorista!

Foto: Rede Globo/divulgação

Avenida Brasil se superou mais uma vez. Na cena levada ao ar ontem (08/08), vimos Carminha (Adriana Esteves) chegar ao fundo do poço. Depois de ser forçada a bancar a empreguete, ter o cabelo cortado, comer macarrão com salsicha e passar toda sorte de humilhações nas mãos de Nina (Debora Falabella), Carminha viu seu mundo desabar de vez ao descobrir que Max (Marcello Novaes), seu eterno amante e parceiro nos golpes, resolveu trocá-la por sua maior inimiga.

Desorientada, Carminha bateu o carro e se feriu levemente. Foi parar em um boteco e começou a encher a cara de pinga, enquanto desabafava com alguns desconhecidos sobre as injustiças da vida. Talvez pelo fato de estar bêbada, Carminha mostrou uma faceta mais humana de sua personalidade. Ela é má, sádica, desonesta e infiel, mas também tem seus pontos fracos.

Que droga de vida é essa?
Pra que a gente vive? Pra esperar a hora de morrer?
O que é que vale a vida? Nada! Nada!
Ei, você, me recolhe aqui. Eu sou igual a isso aí que vocês estão recolhendo.
Um bando de porcaria estragada. Estou assim bem vestida mas vim do lixo.
E fui jogada no lixo de novo.
Estou de volta no lixo. Meu lugar é o lixo

Pra fechar com chave de ouro, ela pegou carona em um caminhão de lixo e pediu, pouco antes de entornar a garrafa de pinga pelo gargalo: “Toca pro inferno, motorista!”.

Como noveleira de carteirinha, posso dizer que essa cena já entrou para a minha galeria de momentos inesquecíveis da teledramaturgia. Não só pela ótima atuação da Adriana, a qualidade do monólogo ou excelente direção, mas principalmente por ter mostrado uma situação com a qual muitos telespectadores devem ter se identificado. Quem nunca se sentiu um verdadeiro lixo, ou se viu tão perdido que não sabia mais qual rumo tomar?

Acredito que a maioria das pessoas já vivenciou momentos de desespero e solidão como os de Carminha. No caso da personagem, de que adiantaram tantos golpes e maldades para se dar bem se no fundo ela é infeliz? Mesmo que a Nina não estivesse ali para se vingar, a vida que Carminha leva é uma grande mentira. O filho não gosta dela, o casamento foi por interesse, o amante é um pau-mandado que só arruma confusão...

Sei que é clichê dizer que “o dinheiro não traz felicidade”, mas no caso da Carminha, não trouxe mesmo. Ela pode ter uma vida de luxo, roupas caras, desviar dinheiro para sua conta secreta, etc. Mas feliz, ela não é. E isso ficou mais do que provado na cena perfeita que encerrou o capítulo de ontem.



domingo, 5 de agosto de 2012

Seu Cadinho e suas três mulheres

Eu estava sem ideias para escrever um post. Depois de muito pensar, resolvi abordar um assunto “light”: novela. Mais precisamente, Avenida Brasil.

Antes de mais nada, quero dizer que adoro AVBR. Depois de tantas novelas chatas exibidas no horário, esta trouxe um sopro de renovação e criatividade. Ok, eu sei que vingança não é um tema tão inédito assim. Mas o modo inspirado como o autor João Emanuel Carneiro elabora a trama e os diálogos transforma esse velho clichê folhetinesco em cenas eletrizantes e memoráveis para quem assiste.

O autor não é o único responsável pelo sucesso de Avenida Brasil. O elenco está ótimo no geral, com destaque para Adriana Esteves e Débora Falabella. Confesso que antigamente achava a Adriana muito fraca como atriz. Só comecei a vê-la de outra forma quando ela fez a Catarina de O Cravo e a Rosa. Como Carminha, está perfeita. Provoca pena, repulsa, raiva e até risadas.

Apesar de todos os pontos positivos, a novela não é perfeita. Alguns núcleos são bem chatinhos, e o pior de todos com certeza é o do Cadinho (Alexandre Borges) e suas três mulheres idiotas. Nada contra os atores que são ótimos, mas os personagens beiram a imbecilidade. Mais uma vez, repete-se o manjado clichê do homem polígamo disputado por suas mulheres sem um pingo de autoestima. Sim, pois apenas uma mulher sem amor-próprio aceitaria dividir um homem com outras duas.

Analisando as personagens, encontramos três mulheres bonitas, ricas e supostamente bem resolvidas. O que leva Verônica, Noêmia e Alexia a compartilharem o mesmo homem como se fosse a coisa mais natural do mundo? Cadinho pode até ser um homem atraente e rico, mas é um infiel de carteirinha. Depois de enganar Verônica e Noêmia durante anos, as duas se conformaram em oficializar a situação apenas para não perder o “macho provedor”. Já Alexia era a amante que virou a esposa da vez. Quando descobriu que Cadinho estava saindo com as ex-mulheres, não hesitou em propor um “rodízio de marido”.

Ok, vão dizer que isso é novela, que não tem nada a ver com a realidade, etc. Será? O que mais tem por aí é mulher que aceita o papel de amante. Muitas “titulares” sabem que o marido pula a cerca, mas fingem ignorar, seja por comodismo, seja por falta de amor-próprio. São mulheres que se sujeitam a situações humilhantes “por amor” a um homem, demonstrando uma completa ausência de autoestima.

Aliás, esse deve ser o caso das três personagens. Será possível que não existam outros homens interessantes no Rio de Janeiro, a ponto das três aceitarem essa versão “moderna” de harém?

Se eu fosse João Emanuel Carneiro, deixaria o Cadinho sozinho no final da novela. Suas mulheres tomariam vergonha nas caras e encontrariam homens que realmente as respeitassem. O mais provável, porém, é que o quarteto termine junto, todos “felizes para sempre”. Se a intenção era ser engraçado, sorry. Dessa vez, não deu certo.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Consequências da TPM

Foto: Nicola Albertini via photopin cc
A TPM não atinge apenas as mulheres, mas também seus parceiros, familiares e até colegas de trabalho.

ADRIANA FÉLIX
KAREM MOGNON

Todo mês é a mesma coisa: cólicas, dor de cabeça, irritação e tristeza sem motivo aparente. Sintomas como esses caracterizam a temida TPM (Tensão Pré-Menstrual), que afeta oito entre dez mulheres brasileiras, de acordo com uma pesquisa recente realizada pela Unicamp (Universidade de Campinas). Outra conclusão foi a de que o Brasil pode ser considerado o país da TPM, se comparado à média mundial. “Alguns estudos já apontavam que as brasileiras sofrem mais de TPM do que as mulheres européias ou americanas, mas o maior diferencial da pesquisa realizada pela Unicamp foi a de ter envolvido as cinco regiões do país”, afirma a psicóloga e professora da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Maria Regina Domingues de Azevedo, de Santo André.

“A diferença do percentual encontrado neste trabalho pode estar relacionada à metodologia utilizada na pesquisa, ou ao fato das brasileiras se mostrarem sensíveis, se queixando mais. Ou ainda, a influencia de fatores ambientais e hábitos de vida que favorecem a presença da TPM”, diz Maria Regina Azevedo, que é especialista em Sexualidade Humana. Segundo ela, características peculiares à cultura, herança genética, hábitos, estilo de vida, alimentação e a influencia da mídia são fatores que possivelmente repercutem na discrepância apontada. Dessa forma, adverte: “o resultado apresentado não deve ser considerado alarmante, pois trabalhos científicos publicados em diferentes países mostram uma variação de 5% a 97% de incidência de SPM em mulheres na faixa etária estudada”. A pesquisa foi realizada com mulheres com idade acima de 18 anos.

“Os sintomas de maior prevalência são compatíveis com os verificados no estudo da Unicamp, e sua intensidade pode ser classificada em três níveis: leve, moderado e intenso”, afirma a psicóloga. Os mais comuns são: fadiga, dor de cabeça, inchaço, cólicas, dor nos seios e alteração no apetite, com aumento do desejo por doces. Sentimentos como irritabilidade, depressão, ansiedade, tensão, tristeza repentina, choro aparentemente sem motivo, raiva, agressividade e baixa auto-estima também são freqüentes. Para que o diagnóstico seja confirmado, a especialista da FMABC ressalta que a paciente deve apresentar cinco sintomas, sendo um deles obrigatoriamente emocional, em pelo menos sete ciclos dos últimos 12 meses, ou por três ciclos consecutivos, segundo alguns pesquisadores em estudos publicados.

A professora, A.A.P., 36, de São Caetano, sofre com o problema há muito tempo e se identifica com várias características descritas. “A TPM anuncia sua chegada com alterações algumas vezes sutis e outras mais marcantes, como a mudança de humor, maior sensibilidade e irritabilidade. Coisas triviais me levam a rompantes de raiva e choro, como se a vida fosse tomada por cores berrantes e não existisse mais meio termo. Com o tempo, aprende-se a percebê-la e a temperar essas situações com bom-senso”. Devido à TPM, A.A. P. conta que já passou por vários acontecimentos inusitados: “Uma crise de choro por algo que ninguém entendeu, durante um filme de comédia. Ou então, uma explosão de raiva por alguém ter esquecido um detalhe que talvez nem fosse assim tão importante naquele momento”.

Contudo, ela se recorda com mais atenção e preocupação de um fato que poderia ter tomado um rumo diferente, levando em consideração o alto índice de violência no trânsito. “Um motorista ralou a lateral traseira do meu carro ao tentar manobrar na vaga onde estava estacionado. Ao perceber a barbeiragem, tentou fugir. Imediatamente eu dei ré, trancando sua passagem. Saí do carro e exigi seus documentos. Quando este tentou mais uma vez manobrar para fugir, praticamente o desafiei a descer e se portar feito homem. Após esse incidente, tento me lembrar de respirar pausadamente antes de qualquer coisa, mas nem sempre isso é possível. Para mim, naquele momento de TPM, parecia a situação mais racional”, afirma a professora.

A TPM não atinge apenas as mulheres, mas também seus parceiros, familiares e até colegas de trabalho. “A orientação é imprescindível, afinal não é fácil conviver com alguém que todo mês pode ter uma crise de choro ou uma explosão de raiva”, diz Maria Regina de Azevedo. O vendedor R.R., 28, morador de Diadema, já sofreu muito com as crises de TPM da namorada. “Uma vez, ela me viu conversando com uma amiga e ficou louca de ciúme. Xingou a menina e fez o maior barraco no meio da rua. Chegou a dizer que estava tudo acabado entre nós. Algumas horas depois, mais calma, me ligou e pediu desculpas pela atitude, dizendo que era culpa da TPM”, revela R.R.
Como prevenir - De acordo com a psicóloga Maria Regina de Azevedo, apesar da alta incidência de TPM, do desconforto físico, das oscilações de humor, do descontrole emocional e das conseqüências que repercutem no contexto sócio-familiar-profissional, um número significativo de mulheres não procura ajuda especializada. É o caso de A.P.P., que ao ser questionada sobre uma possível ajuda médica, se mostra cética. “Não acredito em intervenções psicoativas para esses casos”, diz.

A analista de sistemas L.R., 32, de Santo André, já tentou fazer tratamento com remédio fitoterápico, mas não adiantou. “Era à base de semente de prímula. No primeiro mês achei que deu um bom resultado, só depois não surtiu mais efeito”. A analista sofre com fortes dores na cabeça e nos seios, além de ter mais vontade de comer doces, especialmente chocolates. Mas o pior sintoma é a irritabilidade, “normalmente, brigo mais nessa época. Qualquer coisa me tira do sério, e às vezes até choro. Minha mãe e meu marido já reclamaram do meu comportamento, porque acham que eu fico muito irritada e brigando por motivos banais”.

Entretanto, L.R. não tem a menor paciência com a TPM de outras pessoas. “Tive uma colega de trabalho que ficava mal-humorada e respondia de um jeito grosseiro quando alguém fazia qualquer pergunta. Isso me irritava bastante, porque além de ser muito estresse por nada, ninguém tinha culpa da TPM dela”, diz.

A professora da FMABC acredita que muitos profissionais ainda não dão a devida atenção ao problema, deixando de orientar e tratar as pacientes com o cuidado necessário. “Procurar ajuda de profissionais especializados que reconheçam verdadeiramente a TPM é fundamental, pois além de ser decorrente de diferentes fatores, cada mulher reage de uma forma. A orientação e o tratamento que foram excelentes para uma determinada paciente não necessariamente serão eficazes para outra. E deve-se lembrar sempre que existem vários tratamentos para minimizar os sintomas que tanto afligem a mulher”, ressalta.
Não se pode afirmar que a TPM seja decorrente de uma única causa, mas é possível preveni-la. “Como é provocada por vários fatores, a solução mais indicada seria a associação de condutas, tais como: mudança nos hábitos alimentares, prática de atividade física sistemática e redução de fatores estressantes”, diz a psicóloga.

Em relação à alimentação, a especialista recomenda evitar alimentos gordurosos e os que contêm alto teor de sódio, como frios, embutidos e carnes processadas, frituras, café, refrigerante e bebida alcoólica. Em contrapartida, sugere o aumento da ingestão de verduras, frutas e legumes, carnes magras cozidas, assadas ou grelhadas. Outro conselho é consumir oleaginosas, como castanhas, nozes e avelãs, em pequenas porções, assim como tomar bastante líquido (água, chá e sucos naturais). A soja e seus derivados também são bem vindos na dieta para combater a TPM.


sábado, 28 de julho de 2012

Internet também pode viciar


Uso compulsivo do computador pode prejudicar trabalho e vida social, afirma psiquiatra da FMABC.

KAREM MOGNON

A internet é uma tecnologia cada vez mais presente na vida das pessoas. De acordo com o Ibope/Net Rating, o acesso à web no Brasil cresceu 47% em um ano, totalizando 20,1 milhões de usuários em setembro de 2007. Entretanto, o uso excessivo da internet pode se tornar uma compulsão.

Ainda não há um estudo populacional específico sobre o vício em internet. “É considerado por alguns autores um subtipo do TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo). Se consideramos dessa forma, um estudo realizado em São Paulo encontrou 3,1% de prevalência entre a população”, diz a psiquiatra Cintia de Azevedo Marques Périco, responsável pela Clínica Psiquiátrica do Hospital Estadual Mário Covas, de Santo André.

Segundo a especialista, que também é professora de psiquiatria da Faculdade de Medicina do ABC, a compulsão por internet é avaliada por alguns como uma dependência (internet addiction). “O uso é considerado inapropriado quando atrapalha o cotidiano. Por exemplo, aquele indivíduo que passa 48 horas na frente do computador em buscas incessantes, sem dormir, sem comer, que quase não consegue parar para ir ao banheiro”. Em casos muito graves, o tratamento recomendado é a internação. “A internação psiquiátrica deve acontecer quando existir risco para o paciente ou para os outros. Por exemplo, quando o indivíduo não consegue deixar de visitar sites de leilão, prejudicando seu trabalho e vida social”, explica Cintia.

A estudante M.C., 18, costuma ficar entre sete e oito horas por dia na frente do computador, mas não considera isso um vício. “Acho normal. Gosto de entrar no orkut e teclar no msn (programa de mensagens instantâneas). Mas também visito outros sites, além de blogs e fotologs de alguns amigos”. M.C. já teve alguns problemas familiares devido ao hábito. “Meu pai reclama muito da conta de luz, e minha mãe se irrita quando fico acordada até de madrugada teclando com meus amigos. Teve uma vez que meu pai me proibiu de usar durante uma semana por causa da conta de luz, que veio muito alta. Também brigo direto com meu irmão porque ele também quer usar e eu não aceito sair na hora que ele exige”.

Ela afirma que já deixou de sair com amigos para ficar teclando. “Também perco muito tempo no msn e, com isso, deixo de estudar para as provas da escola e para o vestibular”. Mesmo assim, não consegue sair da internet. “Já tentei, mas não consigo ficar na internet menos do que quatro horas por dia. Se passar um dia sem olhar meus e-mails ou orkut, já fico estressada”, admite M.C.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Violência e medo nas escolas


Comportamentos agressivos de adolescentes contra professores e colegas podem gerar traumas psicológicos nas vítimas.

ADRIANA FÉLIX
KAREM MOGNON

Medo e humilhação não fazem parte da grade escolar, mas estão cada vez mais presentes na vida de milhares de estudantes. Aproximadamente 60% dos jovens brasileiros entre 14 e 19 anos foram alvo de algum tipo de violência nas escolas nos últimos anos, segundo dados da Unesco. Mas os alunos não são as únicas vítimas: uma pesquisa da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), divulgada em fevereiro deste ano, revelou que 87% dos profissionais da educação já sofreram alguma agressão ou sabem de alguma ocorrência dentro da escola. Cerca de 29% dos professores se afastaram temporariamente do trabalho ou abandonaram a profissão motivados pela violência dos alunos.

A professora E. C. leciona em uma escola pública de São Caetano há seis anos e diz que a agressividade dos alunos se tornou constante. “Falta educação, que muitas vezes eles não recebem em casa”. A docente afirma que é difícil atribuir o mau comportamento a um aspecto específico. “Às vezes são problemas familiares, o uso de drogas, a fácil irritabilidade, entre outros que não somos capazes de identificar”.

E. C. já assistiu a desavenças entre estudantes dentro da sala de aula. “As brigas estão sempre presentes entre eles, muitas vezes sem um motivo certo ou importante. Já ocorreu em minha sala, quando dois alunos brincavam de ofender a mãe um do outro. De repente, um deles se irritou e partiu para a agressão física”, revela a professora. Ela acredita que a solução para situações como essa seja uma mudança nas regras dentro das escolas. “Uma direção sempre firme em suas atitudes, e algumas mudanças no regime. Mudanças que nos dêem uma maior abertura em punições, pois nada acontece com os alunos. Sendo assim, eles continuam a agir da mesma maneira, causando transtornos a si mesmos e ao docente”, explica E.C.

“Existe falta de limites na educação dos filhos, no que diz respeito às classes média e alta. Nas classes menos favorecidas, temos o descaso da nossa política social”, diz a psicóloga Rosana Poiani, de São Bernardo. A especialista acredita que as mudanças nos relacionamentos entre pais e filhos são responsáveis pela má-educação dos jovens. “Antigamente os pais eram tradicionalistas, autoritários ao extremo, mas educavam e não se arrependiam de nada do que faziam. Com o passar dos anos, o diálogo e as negociações passaram a fazer parte do processo educativo. Mas, com tudo isso, veio também o ‘psicologismo da educação’. A mídia, em geral, tratou de desinformar os pais, colocando que tudo traumatiza, que não pode isso ou não pode aquilo. Enfim, a educação se perdeu”.

Dentro desse raciocínio, os pais têm parte da culpa no desrespeito aos professores e colegas. “Eles já não sabem o que é certo ou errado e permitem atitudes sem saber se é adequado ou não. Ou, o que é pior, são permissivos demais por acharem que os filhos tem direitos, como por exemplo, responder ao professor que quem paga seu salário é ele. De onde ouviram isso se não dos pais?”, questiona a psicóloga.

Bullying - Segundo Rosana, outro fator muito importante são os preconceitos desenvolvidos dentro dos ambientes familiares. “O ser humano ainda não aprendeu a conviver com as diferenças. Encontramos a falta de valores morais, afetivos e de caráter em qualquer tipo de classe social”.

A universitária Marcela de Oliveira Seme, 24, moradora de Mauá, foi testemunha da perseguição de colegas contra um garoto na época em que cursava a 8ª série do ensino fundamental, em 1996. “Ele era um pouco ‘bobão’ e ingênuo, e todos zoavam com ele. Faziam brincadeiras de mau-gosto, como jogá-lo dentro do latão de lixo”. Marcela ainda se recorda de uma ocasião em especial: “Uma menina disse para esse garoto que iria ensiná-lo a beijar, mas antes ele teria que treinar com um poste. Ele aceitou e beijou o poste, mas não a menina”.

Para a estudante, o garoto não tinha percepção do que faziam com ele. “Ele mesmo não encarava isso como uma coisa ‘ruim’, porque continuava convivendo com os outros alunos normalmente”, afirma. Marcela soube que o ex-colega entrou numa faculdade e continua sendo alvo de chacotas. “Até hoje zoam com ele. Fizeram uma comunidade no orkut (site de relacionamentos) para tirar sarro”, diz.

O ex-colega de Marcela é uma vítima do chamado bullying. O termo passou a ser usado depois da publicação de uma pesquisa sobre vítimas de violência escolar realizada pelo professor Dan Olweus da Universidade de Bergen, na Noruega, nos anos 1970. A palavra bullying é inglesa, sem tradução para o português, e está relacionada a termos como: zoar, apelidar com finalidade pejorativa, humilhar, perseguir, machucar, ferir, ofender. “Enfim, é tudo que devemos aprender a não fazer com ninguém e para ninguém”, afirma Rosana Poiani. A psicóloga aponta as características e o perfil de quem pratica o bullying. “Com certeza uma pessoa perversa, com uma personalidade má e uma visão deturpada do convívio com os outros, assim como com sua afetividade”, esclarece.

O bullying pode provocar marcas profundas para quem é vítima. A auxiliar administrativa D.M., 19, de São Bernardo, revela que faz terapia para superar problemas psicológicos. “Quando eu tinha 14 anos, minhas colegas criticavam muito minhas roupas e meu cabelo. Eu era chamada de ‘Betty, a Feia’ (numa referência à novela de mesmo nome, na qual a personagem-título era humilhada por sua aparência) e isso me machucava demais”. D.M. conta que ainda tem muitos problemas de auto-estima em decorrência do bullying. “Na época, eu me sentia um lixo e tinha vontade de morrer. Até hoje tenho depressão e vivo obcecada com minha aparência”.

“É fundamental que qualquer pessoa que viva sob coerção de qualquer espécie procure um tratamento psicológico, pois toda essa situação constitui uma angústia muito grande e abala a auto-estima. Muitas vezes, a vítima se isola e sente medo, e temos casos que levam até ao suicídio”, afirma a psicóloga Rosana Poiani.

Obesidade: 30% das crianças e adolescentes brasileiros estão acima do peso

Além de prejudicar a saúde, a obesidade pode provocar graves problemas psicológicos, como baixa auto-estima e isolamento.

ADRIANA FELIX
e KAREM MOGNON

Vergonha do próprio corpo, baixa auto-estima, aumento do risco de doenças cardiovasculares. Estes são apenas alguns dos problemas relacionados à obesidade na adolescência. De acordo com a Abeso (Associação Brasileira de Estudos sobre a Obesidade e Síndrome Metabólica), 30% das crianças e adolescentes brasileiros são obesos. Entre as principais causas, estão o sedentarismo e os maus hábitos alimentares.

Para a psicóloga Liliana Lopes de Santo André, as cobranças sociais e imposições da vida moderna expõem o adolescente obeso a uma ampla gama de conflitos psicológicos. “O impacto psicológico que a obesidade causa na adolescência pode trazer perturbações que afetarão estes indivíduos por um longo período de suas vidas”, analisa.

Um desses impactos, por exemplo, é a baixa auto-estima, que pode ter conseqüências graves. “A baixa auto-estima pode provocar dificuldades em cultivar ou fazer amizades, desânimo para sair, problemas escolares e falta de confiança em si. Pode gerar ainda um sentimento de que ninguém gosta ou que não poderá gostar dele (a), e por conta disto, dificuldade para namorar ou paquerar”, afirma a também psicóloga de São Caetano, Paula Biscaro de Oliveira.

Segundo ela, os pais devem ficar atentos e verificar se o filho não está se isolando. “É preciso calma e diálogo nessa hora. Ficar só rotulando ou apontando os defeitos e dificuldades só irá reforçar a situação. Se o adolescente estiver apresentando sintomas de depressão ou engordando demais, é obrigação dos pais levarem o filho para fazer tratamento com um profissional adequado”, alerta.

O estudante B. S., 16, morador de São Caetano, não revela o próprio peso por vergonha, mas admite sofrer discriminação por ser obeso. “Meus colegas de escola tiram sarro de mim constantemente, me chamando de ‘Jô (Soares)’, ‘Faustão’, ‘Balão mágico’. Além disso, as pessoas ficam olhando para mim na rua”.

Apesar de já ter problemas de saúde como colesterol alto, início de diabetes, triglicérides alterada, falta de ar e dificuldades de locomoção, o estudante diz que não faz regime. “No café da manhã, como três pãezinhos e dois copos de leite com café. No almoço, um prato cheio de arroz, feijão e alguma carne, que às vezes repito. No lanche da tarde, costumo comer salgados, porque minha mãe faz. No jantar, massas e salgados. Só penso em comida e em assistir televisão”, confessa.

B.S. não gosta de salada e consome muito refrigerante, mesmo sabendo que precisa cuidar melhor da saúde. “Sei que preciso mudar os hábitos de alimentação, fechar a boca e fazer uma dieta. Também devo praticar exercícios, e, principalmente, parar de fumar”.

Mudança de hábito - A nutricionista Edna Sampaio de São Bernardo define a alimentação dos adolescentes brasileiros como ‘ruim’. “Há muito consumo de gordura trans e saturada, o que pode provocar doenças cardiovasculares e inflamatórias. Por outro lado, a ingestão de poucos vegetais e frutas acarreta um baixo consumo de fibras”, diz.

Márcia Soares, também nutricionista, concorda: “A alimentação está cada vez mais precária. Crianças e adolescentes querem alimentos de fácil preparo, moles, para não terem que mastigar muito. Infelizmente, os pais não têm mais tempo para se dedicar aos filhos. Nos últimos dez anos, tudo isso ocasionou o excesso de alimentação fast food, uso de alimentos industrializados e conseqüente acúmulo de gorduras, sal e carboidratos”. Ela sugere a mudança dos hábitos alimentares das famílias para garantir a melhoria da saúde de crianças e adolescentes.

“Deve-se cortar o consumo de gorduras trans e hidrogenada (usada em sorvetes industrializados cremosos, biscoitos e pastelarias, entre outros). Também é preciso evitar a ingestão freqüente de gordura saturada, assim como o consumo de açúcares simples, como o encontrado no mel, melado, doces, balas e guloseimas, e dar preferência aos carboidratos complexos, como pães, raízes e arroz”, recomenda Edna Sampaio. Outra dica da nutricionista é ingerir no mínimo cinco porções de frutas e vegetais por dia e dar preferência a alimentos integrais.

Em alguns casos, a cirurgia para redução de estômago, inclusive para adolescentes, é uma alternativa para o tratamento da obesidade. Entretanto, o acompanhamento psicológico é indispensável. “Já atendi pessoas que optaram pela cirurgia de redução do estômago, e a partir disso, mudaram suas vidas para muito melhor. Puderam ser mais autoconfiantes e melhorar a auto-estima. Mas essas pessoas passaram por processo terapêutico comigo por alguns meses antes da cirurgia, ou no mínimo fizeram sessões para terem o laudo psicológico antes de realizar a cirurgia. Sempre digo aos clientes que eles vão operar o estômago, e não a cabeça”, explica a psicóloga Paula Biscaro.

Já Liliana Lopes destaca a importância de seguir um tratamento psicológico associado à atividade física e acompanhamento nutricional. “A união de todos esses meios é bastante eficaz e pode reduzir ou eliminar a obesidade e, consequentemente, os conflitos psicológicos causados por ela”, afirma.

Uma questão de infidelidade

Segundo especialista, as principais conseqüências da traição são a quebra do vínculo de confiança entre o casal e a desestruturação na referência de vida, especialmente quando a relação tem vários anos.

ADRIANA FELIX
e KAREM MOGNON

Ele passa a maior parte do tempo livre em reuniões com os amigos, dizendo que vai trabalhar até mais tarde. Quando chega a fatura do cartão de crédito, trata de pegá-la rapidinho para esconder gastos com telefonemas do celular ou de restaurantes, motéis e presentes. O celular toca e ele se assusta, ou tenta ficar sozinho para atendê-lo. Atitudes como essas podem representar sinais de infidelidade, de acordo com a psicóloga Olga Tessari, de São Paulo.

Terapeuta de casais, entre outras especialidades, Olga cita outros comportamentos suspeitos: “O (a) parceiro (a) mostra mais interesse em comprar roupas novas, ou há momentos em que se arruma melhor ao sair de casa para fazer coisas banais, como ‘tomar um ar’; a pessoa tem se irritado mais ou fica estressada com facilidade; o apetite sexual mudou: está sempre ocupada ou cansada demais para o parceiro, ou então, de uma hora para outra, quer fazer sexo a todo instante, com medo de que ele perceba que existe outra pessoa”.

Uma pesquisa do Instituto Datafolha divulgada em outubro de 2007 indicou que 34% dos homens e 8% das mulheres já traíram o parceiro atual. Foram ouvidas 2.093 pessoas em 211 municípios brasileiros. Outro estudo, realizado entre 2002 e 2003 pelo Projeto Sexualidade (Pro-Sex), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, revelou números ainda maiores: a infidelidade masculina foi admitida por 50,6% dos entrevistados, e a feminina, por 25,7%.

“No caso dos homens, há uma questão cultural muito grande. Além do mito de que o homem precisa ter mais experiências ou tem mais desejo sexual, ele se sente bem-avaliado pelos amigos ao contar casos extraconjugais. Em relação às mulheres, ocorreu uma mudança: elas estão traindo mais. Muitas vezes, a infidelidade acontece quando a mulher está insatisfeita afetiva e sexualmente. Então, elas buscam experiências com outros parceiros”, diz a psicóloga Arlete Gavranic, coordenadora dos cursos de pós-graduação em educação e terapia sexual do ISEXP (Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Psicossomática) de São Caetano.

A especialista ressalta que, em muitos casos, a mulher é motivada por um sentimento de vingança. “De acordo com a pesquisa do Hospital das Clínicas, cerca de metade das entrevistadas trai para se vingar da infidelidade do parceiro. Muitas vezes, isso serve para a mulher se auto-afirmar e reconstruir a auto-estima”. Segundo Arlete, no entanto, a educação recebida ainda faz com que grande parte delas se sinta culpada.

“Ambos traem, mas a mulher oculta mais do que o homem porque a sociedade ainda não aceita tão bem a traição feminina quanto a masculina. Ela é quem perdoa mais facilmente, adotando a postura da ‘mãe compreensiva’, depois de muito sofrimento ao fazer-se de vítima. O homem tem mais dificuldade de perdoar porque se sente na obrigação de tomar uma atitude perante a sociedade, não necessariamente a melhor para si mesmo”, explica Olga Tessari.

“Homens e mulheres encaram a infidelidade de forma diferente: eles do ponto de vista da sexualidade, elas, da forma afetiva. Para o brasileiro, que ainda é machista, é muito difícil saber que sua mulher fez sexo com outro homem que não ele. Em geral, eles partem para a separação, embora existam até os que aceitem melhor. Mas, normalmente, os homens fazem o possível para fingir que não sabem. Caso contrário, terão que tomar uma atitude perante a sociedade”, opina Olga.

Para Arlete Gavranic, as principais conseqüências da traição são a quebra do vínculo de confiança entre o casal e a desestruturação na referência de vida, especialmente quando a relação tem vários anos. “Mexe com a auto-estima, principalmente das mulheres. Ela vai pensar coisas do tipo: ‘é porque estou feia, porque envelheci ou engordei?’. As comparações com o que o outro foi buscar fora do relacionamento são inevitáveis”, afirma a especialista.“Vamos encontrar mulheres jovens, bonitas e ótimas profissionais que, ao sofrerem uma traição, esquecem de quem são. As mulheres ainda são educadas dentro do mito do amor romântico.

Muitas só dão significado a suas vidas quando encontram uma pessoa. Ao serem traídas, perdem a própria referência. Essas pessoas precisam de ajuda terapêutica para reaprenderem a olhar para si mesmas e a se enxergarem como mulheres”, recomenda Arlete.

Traídos e traidores - Para Olga Tessari, os motivos para uma traição são os mais diversos: “Rotina, falta de atenção, questões culturais, a busca pelo novo, carências, insatisfação, vingança. Também ocorre quando um dos dois não vê satisfeitos os seus desejos ou suas expectativas com o (a) parceiro (a), ou quando não há mais diálogo entre o casal. Existe ainda uma procura pela sensação de perigo ou mesmo de poder”.

“Traí porque não gostava deles. Na época, achava que tanto fazia estar com aquelas pessoas ou não, e era muito gostosa a aventura”, assume a autônoma M.A.B., 33, moradora de Santo André. Ela traiu alguns namorados e o ex-noivo há 12 anos. “Algumas pessoas souberam por mim mesma. A única pessoa que eu não contei foi para meu noivo. Mas foi pior, porque eu terminei a relação e ele acabou descobrindo na mesma semana, quando me viu com o cara com quem eu estava traindo”,revela.

M.A.B. se arrepende apenas de ter sido infiel com o ex-noivo. “Com algumas pessoas eu faria tudo novamente, porque não deveria nem ter começado o namoro. No caso do meu ex-noivo, me arrependi muito, porque ele era um cara legal, gostava de mim e me dava valor. Acabei trocando-o por alguém que não valeu a pena. Se o encontrasse novamente, pediria desculpas. Ele não me perdoou, mas se eu pudesse teria reatado, porque era uma pessoa muito especial e tenho quase certeza que se estivesse com ele, estaria vivendo bem”. Porém, a autônoma diz que provavelmente não conseguiria perdoar se fosse vítima: “Depende. Se não gostasse dele, seria uma desculpa para terminar. Mas também, se eu gostasse, ficaria muito brava e talvez não o perdoasse”.

O consultor de empresas M.T.A., 27, de São Bernardo, viveu o outro lado da situação. Ele não tem certeza absoluta se foi traído pela ex-namorada, mas a suposta infidelidade quase acabou com uma amizade de infância. “Estava curtindo ficar com ela, e parecia que era correspondido. Nós saíamos com meus amigos e íamos para vários lugares, como bares, casamentos e festas. Depois de um tempo, ela me contou que estava a fim do meu melhor amigo. Não sei dizer se houve traição de fato, mas me senti muito mal, pois estava realmente gostando dela. É difícil ouvir de uma namorada que ela está gostando de outro. Pior ainda quando se trata de seu melhor amigo”, desabafa.

M.T.A. se sentiu duplamente traído. “Poderia ter sido mais fácil aceitar a infidelidade dela se não fosse com meu amigo”. Segundo o consultor, a amizade ficou abalada. “Contei o que minha ex havia me dito e conversamos sobre a situação. Parecia que tudo estava resolvido, mas depois ele veio me perguntar se haveria problema em sair com ela. Disse que não, mas no fundo fiquei bastante chateado. Se estivesse no lugar dele, não faria isso. É aquele negócio, o que eu não quero pra mim, não quero para o outro”.

Apesar de tudo, a história teve um final feliz. “Depois de uma semana, meu amigo me ligou muito desconfiado, me convidando para tomar cerveja. Aceitei, e quando nos encontramos, ele achou até que eu iria bater nele, mas tivemos uma boa conversa e tudo ficou resolvido. Nós tínhamos uma amizade desde crianças, que não poderia ser perdida por uma mulher que não ficou nem comigo, nem com ele”, diz M.T.A. Sete anos depois, o consultor afirma ter superado o assunto. Atualmente, ele namora outra pessoa, com quem planeja se casar. “Acredito que o que aconteceu foi um caso à parte e, infelizmente, pode acontecer com qualquer pessoa. Acho que um relacionamento sem confiança não dá certo”.

Esquecendo a traição - “Depende de cada casal. Muitos buscam um reencontro na terapia, que não necessariamente irá resgatar a relação, mas pode ajudar os dois a uma separação sem mágoas e agressões”, explica Arlete Gavranic. Mas a terapeuta diz que é possível continuar juntos: “O parceiro infiel deve ter consciência de que a desconfiança e o ciúme são preços que terá que pagar pelo deslize. A pessoa tende a ter um controle maior sobre o parceiro que traiu.

Quem foi vítima carrega a sensação de que deixou a infidelidade acontecer. Mas, se tiver vontade de resgatar esse vínculo, deve se comprometer com isso”.
A psicóloga Olga Tessari aconselha a pessoa traída a avaliar seu comportamento e verificar se de alguma forma colaborou para que a situação ocorresse. “Se ela quer manter o relacionamento, deve entender que tem uma parcela de culpa e não apenas se fazer de vítima. Caso escolha continuar e não consiga perdoar, ela precisa de acompanhamento psicológico para isso, pois suas atitudes podem contribuir para a separação. Ela deve recomeçar sem ficar remoendo a traição. Em outras palavras, virar a página junto com o traidor. A partir do momento em que ambos desejam prosseguir juntos, devem colocar um ponto final nessa história e enterrá-la definitivamente”.